A eletrificação depende, entre outros fatores, do desenvolvimento massivo de baterias que utilizam materiais de eletrodo à base de metais frequentemente raros e caros. Uma equipe franco-alemã de cientistas propõe uma alternativa promissora a esses materiais: materiais orgânicos à base de hidrogênio, carbono, oxigênio e nitrogênio para a elaboração de baterias puramente moleculares, mais baratas e mais respeitosas com o meio ambiente. Um estudo a ser encontrado na ACS Applied Polymer Materials.
As atuais baterias de Ăons de lĂtio dependem amplamente do uso de metais crĂticos, Ă s vezes tĂłxicos, cuja extração e reciclagem apresentam problemas ambientais e geopolĂticos. Há vários anos, os cientistas exploram alternativas, como as baterias orgânicas, fabricadas a partir de molĂ©culas ricas em carbono, hidrogĂŞnio e nitrogĂŞnio.
Esses materiais apresentam várias vantagens: uma sĂntese menos intensiva em energia, partindo de recursos amplamente abundantes, melhor reciclabilidade e, principalmente, grande liberdade de design quĂmico. Eles atĂ© abrem caminho para baterias moleculares totalmente livres de metais do tipo "ânion-Ăon". Um desafio importante, no entanto, permanece: identificar materiais para o eletrodo negativo capazes de operar em baixo potencial, mantendo sua estabilidade ao longo dos ciclos de carga e descarga.
Cientistas alemĂŁes da Universidade de Ulm e franceses do Instituto de Materiais de Nantes Jean Rouxel (CNRS/Universidade de Nantes) se interessaram por uma famĂlia de molĂ©culas chamadas "superdoadores de elĂ©trons". Esses compostos, muito ricos em elĂ©trons, podem facilmente cedĂŞ-los durante reações eletroquĂmicas.
A equipe integrou pela primeira vez um desses motivos quĂmicos, baseado no bi(benzimidazol), em vários polĂmeros destinados a servir como eletrodos negativos desse tipo de bateria ânion-Ăon. Dois desses materiais mostraram um comportamento particularmente interessante: eles operam em torno de 2,1 V vs Li+/Li, um valor notavelmente baixo para esse tipo de polĂmero orgânico.
Embora os polĂmeros testados tenham demonstrado capacidade de armazenar e liberar energia elĂ©trica de forma reversĂvel, seu desempenho diminui apĂłs vários ciclos. A equipe propõe uma pista para explicar esse fenĂ´meno: durante as reações eletroquĂmicas, as molĂ©culas reduzidas podem se transformar temporariamente em "carbenos", espĂ©cies quĂmicas muito reativas capazes de danificar progressivamente o material.
Esses resultados orientarão futuras pesquisas para projetar materiais orgânicos à base de superdoadores de elétrons mais estáveis e eficientes.
Os polĂmeros estudados demonstram, no entanto, que Ă© possĂvel obter materiais operando em baixa tensĂŁo sem recorrer a metais. Eles tambĂ©m destacam a importância crucial da estabilidade quĂmica. Os futuros trabalhos deverĂŁo agora projetar arquiteturas moleculares capazes de preservar as propriedades eletrĂ´nicas do bi(benzimidazol) enquanto impedem a formação dessas espĂ©cies reativas. Uma etapa indispensável antes de considerar baterias orgânicas verdadeiramente duráveis e competitivas.
Redator: AVR.