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🩺 Descoberta de um novo mecanismo chave da progressão das doenças renais
Publicado por Adrien, Fonte: Inserm Outras Línguas: FR, EN, DE, ES
As doenças renais crônicas têm um ponto em comum: uma vez iniciadas, independentemente da causa e mesmo que esta seja tratada, elas sempre acabam piorando.
Duas equipes do Inserm, do CNRS e da Universidade Paris Cité acabam de descobrir o maestro desse mecanismo de progressão inexorável: a proteína HNF1B. Além de um avanço importante no conhecimento dessas doenças, as equipes identificaram um novo alvo terapêutico de grande interesse. Este trabalho será publicado na revista Science.
A doença renal crônica afeta mais de 10% da população mundial, cerca de 850 milhões de pessoas. Caracteriza-se por uma perda progressiva e irreversível da função renal, podendo necessitar de diálise ou até mesmo transplante.
Vários fatores de risco são bem identificados: diabetes, hipertensão, obesidade ou inflamação. No entanto, mesmo que a causa inicial seja tratada, o declínio da função renal é, na grande maioria dos casos, inevitável. Esse caráter autossustentável representa um aspecto particularmente preocupante da doença renal; ao adquirir sua própria dinâmica, torna-se difícil de interromper. Até agora, os mecanismos biológicos responsáveis por essa progressão continuavam amplamente desconhecidos.
Duas equipes do Instituto Necker-Enfants malades (Inserm/CNRS/Universidade Paris Cité) dirigidas por Marco Pontoglio, diretor de pesquisa do CNRS, e Fabiola Terzi, diretora de pesquisa do Inserm e diretora do Instituto Necker-Enfants malades, se interessaram por esses mecanismos biológicos, e mais particularmente pelo papel no rim adulto da proteína HNF1B (Hepatocyte Nuclear Factor 1 beta). Ela controla a expressão de muitos genes e desempenha um papel indispensável na formação do rim durante o desenvolvimento embrionário.
De fato, em humanos, mutações no gene HNF1B causam uma diminuição da atividade dessa proteína, o que leva a uma doença genética rara do rim. E fato marcante: as lesões observadas em pacientes podem se assemelhar às encontradas nas formas mais comuns da doença renal crônica, ou seja, fibrose ou atrofia do tecido renal.
Essa similaridade levou os pesquisadores a formularem uma hipótese: a disfunção do HNF1B poderia representar um mecanismo comum conectando as doenças renais raras e as formas muito mais frequentes, como a doença renal crônica.
As equipes de pesquisa observaram que a perda da atividade do HNF1B no rim adulto humano e de camundongos provocava uma insuficiência renal crônica rápida e severa, acompanhada de fibrose e atrofia do tecido renal. Privadas da atividade do HNF1B, as células tubulares renais - que revestem os túbulos renais e desempenham um papel importante na função do rim -, normalmente altamente diferenciadas e estáveis, perdiam sua identidade e especialização e começavam a proliferar de forma inadequada.
Essa proliferação era acompanhada de morte celular ou envelhecimento prematuro das células, contribuindo para a fibrose progressiva do rim e a degradação de sua função.
Os pesquisadores também identificaram um conjunto de genes cuja expressão é regulada pelo HNF1B. Esse conjunto aparecia alterado muito precocemente em vários modelos de doença renal crônica em camundongos, às vezes antes mesmo do aparecimento de lesões visíveis, e estava associado a um defeito na reparação do tecido renal.
Os cientistas também mostraram que fatores associados à doença renal, como inflamação ou presença de albumina na urina, reduziam a atividade do HNF1B. Graças a técnicas avançadas de análise da atividade dos genes, eles evidenciaram um fenômeno chave: o estresse sofrido pelas células do rim durante uma doença renal crônica leva a uma repressão dos genes regulados pelo HNF1B.
"Nossos resultados revelam a existência de um verdadeiro círculo vicioso que explica o caráter autossustentável das doenças renais: a diminuição da atividade do HNF1B favoreceria a doença renal, e em contrapartida, a doença renal suprimiria progressivamente a atividade do HNF1B, agravando ainda mais as lesões renais. Esse mecanismo poderia explicar por que a doença renal crônica tende a piorar de forma contínua, mesmo na ausência de uma nova agressão", resume Marco Pontoglio.
Esse mecanismo seria comum a muitas doenças renais. De fato, a análise de mais de 900 biópsias renais de pacientes com doença renal crônica de diferentes origens e abrangendo todos os estágios de gravidade, evidenciou sistematicamente a assinatura molecular característica da perda de função do HNF1B.
As anomalias eram tanto mais marcadas quanto a doença estava avançada, confirmando o papel importante dessa proteína na gravidade da lesão renal. "Este estudo estabelece o HNF1B como um verdadeiro guardião da função renal. Sua perda de atividade conecta pela primeira vez as doenças genéticas renais raras e as formas comuns de doença renal crônica por um mecanismo único", esclarece Fabiola Terzi.
Esses resultados abrem uma nova perspectiva terapêutica importante: "encontrar uma maneira de restaurar a atividade do HNF1B poderia permitir retardar, ou até mesmo modificar a evolução da doença renal crônica" conclui Fabiola Terzi.
Este trabalho é objeto de uma patente depositada junto à Inserm Transfert em 2025.