👁️ Descoberta de uma célula visual única em peixes de águas profundas

Publicado por Adrien,
Fonte: Science Advances
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No fundo dos oceanos, onde a luz do Sol mal consegue penetrar, a vida organiza-se numa escuridão quase permanente. Para se orientarem e sobreviverem neste ambiente hostil, as criaturas marinhas tiveram de desenvolver sentidos particulares. É neste contexto que uma equipa de investigadores fez uma observação surpreendente, modificando a nossa compreensão da visão nos vertebrados.

Esta equipa científica identificou, em peixes jovens das profundezas, um tipo de célula sensível à luz que nunca tinha sido descrito antes. Esta célula em particular possui características que misturam dois sistemas conhecidos: os cones, ativos em plena luz, e os bastonetes, adaptados à escuridão. Parece especialmente concebida para funcionar em zonas de baixa luminosidade, como a 'zona crepuscular' dos oceanos.


Duas espécies de peixes-lanterna, Maurolicus muelleri e Maurolicus mucronatus, dotadas de fotorrecetores híbridos na fase larvar e adulta.
Crédito: Dr Wen-Sung Chung

As larvas destes peixes foram recolhidas no Mar Vermelho, a profundidades entre 20 e 200 metros. Estes organismos minúsculos, medindo apenas meio centímetro, apresentam um interesse particular. Muitos peixes das profundezas não nascem na escuridão total; crescem primeiro perto da superfície antes de migrarem para as águas profundas. Consequentemente, o seu sistema visual deve adaptar-se progressivamente a condições de luz variáveis ao longo do seu desenvolvimento.

Esta célula híbrida utiliza tanto genes típicos dos cones como uma forma que lembra a dos bastonetes. Permite uma visão otimizada na penumbra, uma vantagem certa para larvas que precisam de se alimentar e evitar predadores antes de descerem para as profundezas. Os investigadores indicam que esta adaptação representaria uma resposta evolutiva às restrições luminosas do seu ambiente.

As aplicações potenciais desta descoberta são numerosas. No domínio tecnológico, compreender o funcionamento desta célula pode inspirar a conceção de sensores mais eficientes para situações de fraca iluminação, como câmaras ou óculos de visão noturna. Em medicina, o estudo dos mecanismos biológicos envolvidos pode oferecer pistas para compreender melhor algumas afecções do olho humano.
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