descoberta: veja como funciona nossa memória seletiva

Publicado por Cédric - Há 25 dias - Outras Línguas: FR, EN, DE, ES
Autor do artigo: Cédric Depond
Fonte: Nature Communications
Os caminhos da memória começam a ser desvendados, especialmente graças a um estudo recente publicado na Nature Communications. Neurocientistas da Universidade Toulouse III - Paul Sabatier e do CNRS destacaram o papel da dopamina na seleção de nossas lembranças. Esta descoberta oferece uma nova compreensão dos mecanismos subjacentes a distúrbios cognitivos como a doença de Parkinson.


Imagem de ilustração Pixabay

A memória depende da plasticidade sináptica, ou seja, a capacidade das sinapses de ajustar sua força em resposta à atividade neuronal. No hipocampo, uma estrutura-chave do cérebro localizada no lobo temporal, essa plasticidade é essencial para o aprendizado e a formação de novas memórias. Quando um evento ocorre, as conexões sinápticas são reforçadas por um processo chamado potencialização de longo prazo (LTP). Este mecanismo permite ao cérebro selecionar e reter informações relevantes.

Lionel Dahan, professor de neurociências na Universidade Toulouse III - Paul Sabatier, e sua equipe estudaram o papel dos neurônios de dopamina no hipocampo. Embora sua existência fosse controversa devido ao seu pequeno número, eles demonstraram sua importância através de técnicas de manipulação optogenética. Eles modificaram geneticamente neurônios de camundongos para que produzissem uma proteína sensível à luz, permitindo assim ativá-los ou inibi-los por uma fibra óptica inserida no hipocampo.

Os resultados mostram que a liberação de dopamina reforça a comunicação entre os neurônios por pelo menos cinco horas, desde que ocorra dentro de uma janela temporal de 200 milissegundos após a ativação das sinapses. Esta sincronização é essencial para desencadear a formação das memórias. Testes comportamentais confirmaram essas observações: camundongos colocados em um novo ambiente por 30 segundos, normalmente insuficiente para que se recordassem, memorizaram esse ambiente graças à estimulação de seu hipocampo. Por outro lado, inibir os neurônios de dopamina impedia até mesmo uma memorização habitual de dois minutos.

Este estudo pode ter implicações significativas para distúrbios cognitivos. De fato, a degeneração dos neurônios dopaminérgicos impede a seleção das informações a serem memorizadas, o que pode explicar alguns sintomas precoces da doença de Parkinson. Lionel Dahan destaca a importância de investigar distúrbios de memória em todas as doenças neurodegenerativas que envolvem esses neurônios.

O próximo passo será descobrir o que ativa esses neurônios e o mecanismo molecular que permite à dopamina provocar a LTP. Compreender esses processos poderia abrir novas vias terapêuticas para distúrbios de memória e de aprendizado, assim como para patologias como a doença de Alzheimer.
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