💉 Diabetes: um gel protetor para um futuro sem injeções de insulina

Publicado por Adrien,
Fonte: Universidade de Genebra
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Usando um hidrogel inovador, que favorece a sobrevivência das células produtoras de insulina enxertadas no organismo, cientistas conseguiram regular a glicemia de camundongos diabéticos. Este sucesso experimental, que supera os resultados dos métodos de transplante clássicos, abre caminho para o desenvolvimento de um pâncreas bioartificial que poderia permitir dispensar as injeções de insulina. Esses resultados, obtidos no âmbito do projeto europeu VANGUARD, são publicados na revista Trends in Biotechnology.


Grumos de células insulares produtoras de insulina (em vermelho) alojados no hidrogel concebido pela equipe da UNIGE e dos HUG. Os pontos azuis representam os núcleos celulares.
© Berishvili Lab, University of Geneva

O diabetes tipo 1 ocorre quando o sistema imunológico destrói as células β do pâncreas produtoras de insulina, levando a um desregulamento crônico do nível de açúcar no sangue. Para compensar essa deficiência, as pessoas afetadas precisam injetar insulina diariamente, por toda a vida.

O transplante de ilhotas pancreáticas – pequenos grupos de células produtoras de insulina e outros hormônios – pode restaurar temporariamente o equilíbrio glicêmico e eliminar a necessidade de insulina artificial. No entanto, essa abordagem ainda é limitada pela escassez de doações e pelo alto risco de rejeição. Além disso, quando as ilhotas pancreáticas são implantadas no fígado – o local habitual de transplante – elas enfrentam inflamação, perda de sua matriz de suporte natural e irrigação sanguínea insuficiente, todos fatores que comprometem sua sobrevivência.

Esta prova experimental representa um passo decisivo para o desenvolvimento de um pâncreas artificial funcional.

Uma equipe liderada por Ekaterine Berishvili, professora no Departamento de Cirurgia e no Centro de Diabetes da Faculdade de Medicina da UNIGE, responsável pelo Laboratório de Isolamento e Transplante Celular no Serviço de Transplante dos HUG, desenvolveu um hidrogel inovador, o Amniogel, que permite superar esses obstáculos.

Derivado da membrana amniótica humana – a camada mais interna das membranas que envolvem o feto, facilmente coletada da placenta após o nascimento – ele restaura os sinais de sobrevivência perdidos durante o isolamento das ilhotas pancreáticas e permite que uma rede microvascular se auto-monte dentro da estrutura, antes do transplante. Uma vez implantada, essa rede pré-formada se conecta à circulação sanguínea do hospedeiro, favorecendo assim o funcionamento duradouro do enxerto. Em testes laboratoriais, o gel também retarda a migração de células imunológicas citotóxicas, o que sugere que pode ajudar a proteger o enxerto nos primeiros momentos após o transplante.

Glicemia normal por pelo menos 100 dias


"Este gel cria um ambiente protetor, semelhante ao do organismo, no qual integramos ilhotas pancreáticas e células capazes de formar vasos. Antes do transplante, essas células se auto-organizam em uma rede de microvasos ao redor das ilhotas, de modo que o enxerto já chega vascularizado", explica Ekaterine Berishvili. Transplantada com sucesso em camundongos diabéticos, essa estrutura – enxertos finos em forma de disco com cerca de 9 mm de diâmetro – permitiu manter a glicemia normal por pelo menos 100 dias, toda a duração do acompanhamento, superando tanto as ilhotas transplantadas sozinhas quanto as estruturas desprovidas de vasculatura artificial. O Amniogel também é produzido segundo um processo conforme as normas farmacêuticas "BPF", um requisito essencial para uma futura aplicação clínica.

Próximo de uma aplicação clínica


"Esta prova experimental representa um passo decisivo para o desenvolvimento de um pâncreas artificial funcional", comemora a pesquisadora. "O próximo passo, para se pensar em uma aplicação clínica, será produzir enxertos de maior tamanho – ou em maior número – para atender às necessidades de uso em humanos." Além disso, o Amniogel poderia ser usado para abrigar muitos outros tipos de células, abrindo caminho para terapias de transplante celular além do diabetes.
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