🧩 O enigma do raio do próton finalmente resolvido

Publicado por Adrien,
Fonte: Physical Review Letters
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Há mais de dez anos, os físicos enfrentam uma situação desconcertante: o tamanho do próton, núcleo do átomo de hidrogênio, não é idêntico dependendo da técnica de medição utilizada. Esse problema é chamado de enigma do raio do próton.

Experimentos usando elétrons davam um raio ligeiramente maior do que aqueles usando múons, partículas mais pesadas. Tal discrepância poderia sinalizar uma falha no Modelo Padrão, a teoria que descreve as partículas elementares. Era necessária, portanto, uma medição mais confiável e precisa para decidir.


Luz laser ultravioleta sondando o hidrogênio atômico durante o experimento.
Crédito: Ben Ward/Colorado State University for the College of Natural Sciences

Foi assim que uma equipe da Universidade Estadual do Colorado enfrentou o desafio com uma técnica de espectroscopia a laser de precisão inigualável. O resultado deles situa o raio do próton em aproximadamente 0,84 femtômetro, um valor muito próximo das previsões do Modelo Padrão. Essa medição parece encerrar a controvérsia.

Dylan Yost, professor associado, explica que esse resultado elimina a possibilidade de que uma nova força ou partícula seja responsável pela diferença anterior. Segundo ele, a coincidência com a teoria reforça a confiança no Modelo Padrão, embora surpresas ainda possam vir de outras áreas.

Para alcançar essa precisão, a equipe desenvolveu um método inédito utilizando dois feixes de laser simultaneamente. O estudante Ryan Bullis, primeiro autor do estudo, explica que os átomos de hidrogênio se movem muito rapidamente e interagem pouco com o laser, o que torna os sinais difíceis de captar. O duplo pulso de laser permitiu refinar a medição.


Um dispositivo usado para separar o hidrogênio molecular em hidrogênio atômico antes da análise.
Crédito: Ben Ward/Colorado State University

Esses trabalhos ilustram como experimentos em laboratório podem complementar os grandes aceleradores de partículas. Dylan Yost compara a abordagem deles a uma luz de motor que acende: ela indica onde procurar possíveis anomalias. Ambos os tipos de experimentos são necessários para sondar o Modelo Padrão e descobrir uma eventual nova física.

Com esses resultados, a equipe pretende aplicar a mesma técnica a outros átomos, como o deutério. Dylan Yost se diz satisfeito que o hidrogênio se comporte como esperado, mas lembra que futuros experimentos certamente permitirão ser ainda mais precisos. A busca pela física fundamental continua, entre teoria e experimento.

Espectroscopia a laser de átomos


A espectroscopia a laser é uma técnica que utiliza a luz laser para sondar a estrutura dos átomos. Ao modificar a frequência do laser, é possível fazer com que os elétrons saltem de um nível de energia para outro. Essas transições são muito sensíveis às propriedades do núcleo atômico, como o seu tamanho.

No experimento da equipe do Colorado, os pesquisadores criaram um feixe de átomos de hidrogênio em uma câmara de vácuo. Bombardeando esses átomos com lasers ultravioleta de frequências precisas, eles conseguiram medir com grande exatidão a energia necessária para excitar os elétrons.

Para deduzir o raio do próton, os pesquisadores então compararam essas medições a cálculos teóricos. A dificuldade residia no fato de que os átomos se movem rapidamente, o que reduz o tempo de interação com o laser. A solução foi utilizar dois feixes de laser simultaneamente para aumentar a precisão.
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