🔥 Esta substância descoberta em Marte só se sintetiza a mais de 100°C

Publicado por Adrien,
Fonte: Nature Communications
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O planeta Marte não para de revelar compostos inesperados no interior de suas formações rochosas.

Durante anos, sinais espectrais incomuns captados do espaço intrigaram a comunidade científica. Recentemente, um trabalho publicado na Nature Communications propõe uma explicação atraente: essas assinaturas poderiam corresponder a um sulfato de ferro hidroxilado nunca observado antes, necessitando de forte calor para se formar. Esta fase mineral nova foi identificada perto do vasto cânion de Valles Marineris, uma zona rica em depósitos antigos.


Mapa da região de Valles Marineris pelo altímetro laser MOLA, com as altitudes elevadas em vermelho e as baixas em amarelo, verde e azul.
Crédito: Mars Orbiter Laser Altimeter (MOLA)

As áreas examinadas, Aram Chaos e o planalto de Juventae Chasma, mostram camadas de sulfato bem distintas. Esses estratos se formaram quando água carregada de sulfatos desapareceu lentamente, deixando para trás minerais. Posteriormente, o calor proveniente de atividades vulcânicas ou geotérmicas alterou esses depósitos. Essa sequência permitiu a criação da fase de sulfato de ferro hidroxilado.

Para entender esse processo, experiências em laboratório simularam o aquecimento de sulfatos hidratados. Quando a temperatura ultrapassa 50 graus Celsius, os sulfatos polihidratados tornam-se monohidratados. Acima de 100 graus, eles se transformam em sulfato de ferro hidroxilado. Esses resultados correspondem às observações feitas em Marte, onde essa substância só aparece em locais limitados.

A reação química na origem deste mineral requer oxigênio, um gás presente em pequena quantidade na atmosfera marciana. Durante a transformação, água é liberada. Isso indica que Marte experimentou condições onde o calor e o oxigênio puderam interagir com os minerais na superfície, bem depois do período em que a água era abundante.

Esta análise sugere que algumas partes de Marte permaneceram termicamente ativas mais recentemente do que se pensava. O sulfato de ferro hidroxilado poderia, portanto, servir como marcador para reconstituir a história geológica do planeta. Também oferece pistas para compreender melhor os ambientes passados que poderiam ter sido propícios à vida.


Um sulfato incomum detectado da órbita poderia representar um mineral marciano desconhecido. Aram Chaos.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/University of Arizona


A detecção de minerais da órbita marciana


Para analisar a superfície de Marte sem pousar um rover, os cientistas usam instrumentos embarcados em orbitadores. Um dos mais importantes é o espectrômetro CRISM, que mede a luz refletida pelo solo em diferentes comprimentos de onda, particularmente no infravermelho.

Cada mineral absorve e reflete a luz de maneira única, criando uma assinatura espectral característica. Comparando essas assinaturas com bancos de dados estabelecidos em laboratório, os pesquisadores podem identificar os minerais presentes à distância. Este método não invasivo permite mapear vastas áreas rapidamente.

Os dados espectrais revelam não apenas a composição mineral, mas também a estrutura das camadas geológicas. Por exemplo, podem mostrar como os sulfatos estão estratificados, indicando sequências de deposição e transformação devido a eventos como evaporação ou aquecimento.

Essas técnicas orbitais são complementares às missões no solo. Elas fornecem uma visão geral valiosa para direcionar os locais mais interessantes para futuras explorações, buscando pistas sobre a história da água e a atividade geológica de Marte.
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