Uma equipe de astrónomos acaba de publicar um catálogo detalhado de 2100 estrelas, consideradas como podendo potencialmente abrigar planetas propÃcios à vida. Este levantamento, o mais completo até hoje, foca-se num tipo estelar especÃfico: as anãs de tipo K, frequentemente chamadas anãs laranjas. Todas estas estrelas estão situadas num raio de 130 anos-luz em torno do Sistema Solar.
Este estudo, apresentado numa conferência da American Astronomical Society, baseia-se em observações espectroscópicas realizadas com dois telescópios situados nos hemisférios norte e sul. Ele fornece dados precisos sobre a idade, temperatura e estabilidade de cada estrela. Estas informações são importantes para avaliar as condições que poderiam reinar em eventuais planetas em órbita e orientar as futuras pesquisas de assinaturas biológicas.
As vantagens pouco conhecidas das anãs laranjas
As estrelas visadas, chamadas anãs de tipo K ou "anãs laranjas", possuem caracterÃsticas intermédias muito interessantes. Elas são um pouco menos massivas, mais frias e menos luminosas que o nosso Sol, que é uma estrela de tipo G. No entanto, a sua abundância na vizinhança solar é cerca de duas vezes maior que a de estrelas como o nosso Sol.
A sua principal vantagem reside na sua extraordinária longevidade. Enquanto o Sol viverá cerca de 10 mil milhões de anos na sequência principal, as anãs K podem lá permanecer de 20 a 70 mil milhões de anos. Esta duração de vida estendida oferece uma janela temporal consideravelmente maior para a emergência e evolução de processos complexos, como a vida.
Finalmente, o seu comportamento é mais calmo que o das pequenas anãs vermelhas. Estas últimas são frequentemente sujeitas a violentas erupções estelares e emitem uma radiação ultravioleta intensa, suscetÃvel de erodir as atmosferas planetárias. As anãs laranjas apresentam uma atividade magnética mais moderada, criando um ambiente espacial potencialmente mais estável para planetas em órbita.
Uma cartografia completa da nossa vizinhança estelar
Para realizar este inventário, os astrónomos usaram dois observatórios estrategicamente colocados no globo. O telescópio SMARTS no Chile e o Tillinghast Telescope no Arizona, ambos equipados com espectrógrafos de alta precisão, permitiram uma cobertura integral do céu. Esta configuração permite observar todas as estrelas alvo sem zona de sombra.
A análise espectroscópica detalhada forneceu um verdadeiro bilhete de identidade para cada estrela. Os investigadores conseguiram determinar a sua temperatura de superfÃcie, velocidade de rotação, idade aproximada e até a sua trajetória na Via Láctea. Estes dados ajudam a identificar os astros mais maduros e calmos, candidatos ideais para abrigar planetas temperados.
Este catálogo constitui agora um recurso fundamental para a comunidade cientÃfica. Ele permite concentrar os esforços de observação dos grandes instrumentos, como o telescópio espacial James Webb, nos sistemas mais promissores.