Uma experiência realizada em Nova York reproduziu um fenômeno teórico associado a buracos negros em rotação.
Nenhum verdadeiro buraco negro foi, obviamente, criado. O seu dispositivo permite, no entanto, que certas ondas saiam com mais energia do que na sua entrada.
A ideia remonta ao físico Roger Penrose. Em 1969, ele propôs que um objeto pudesse recuperar parte da energia de um buraco negro que gira rapidamente. Esse mecanismo ocorreria numa zona onde a rotação do buraco negro arrasta o espaço ao seu redor.
O físico Yakov Zel'dovich mostrou depois que um fenômeno comparável poderia envolver ondas. Uma onda encontrando um objeto que gira suficientemente rápido poderia retirar-lhe energia. Ela seria então amplificada, como um som tornado mais potente.

Rotação baseada no modelo de Floquet e super-radiação rotacional.
Crédito: Nature (2026). DOI: 10.1038/s41586-026-10725-y
Tal experiência permanece normalmente impossível. Nenhum material consegue girar rápido o suficiente sem se partir. Os investigadores substituíram, portanto, a rotação real por uma rotação artificial produzida através de componentes eletrónicos dispostos em círculo.
Esses componentes modificam muito rapidamente as suas propriedades segundo uma sequência precisa. O material não se move, mas as ondas têm a "impressão" de atravessar um sistema em rotação. Este truque reproduz certas condições físicas esperadas perto de um buraco negro.
Os investigadores enviaram ondas de rádio para o dispositivo. Algumas recuperaram energia do sistema e saíram mais intensas.
Esta experiência oferece um meio de estudar em laboratório uma teoria até agora muito difícil de testar. Poderá também inspirar novos sistemas capazes de amplificar certas ondas, nomeadamente nas telecomunicações, na fotónica ou na computação quântica.