Quem poderia imaginar que rochas ricas em ferro, comumente associadas à ferrugem, poderiam conservar fósseis com uma precisão tão notável? Na Austrália, o sítio de McGraths Flat está transformando nossa visão sobre a preservação de vestígios de vida antiga.
Localizado nas terras altas centrais de Nova Gales do Sul, na Austrália, o sítio de McGraths Flat remonta ao Mioceno, um período marcado pelo surgimento de muitas formas de vida modernas. Embora seja árido hoje, a região já foi coberta por uma densa floresta tropical. Os pesquisadores descobriram ali um registro fóssil excepcional, conservado em rochas de uma cor vermelha impressionante.
Crédito: Salty Dingo
As rochas de McGraths Flat são caracterizadas por sua composição de goethita, um mineral que contém ferro. Este material permitiu a conservação notável de plantas, insetos, aranhas, peixes e até penas. Os detalhes são tão precisos que células pigmentares nos olhos dos peixes ou órgãos internos de insetos se tornam discerníveis.
Normalmente, os fósseis mais bem preservados provêm de xistos, arenitos ou cinzas vulcânicas, como na jazida de Messel, na Alemanha, ou nos xistos de Burgess, no Canadá. Esses locais soterravam rapidamente os organismos sob sedimentos finos. Em contrapartida, as rochas ricas em ferro eram consideradas pouco favoráveis à preservação da vida terrestre, o que torna a descoberta de McGraths Flat particularmente inesperada.
Um estudo recentemente publicado na Gondwana Research detalha a formação deste sítio. No Mioceno, o ferro lixiviado do basalto em alteração foi transportado por águas subterrâneas ácidas até um antigo meandro de rio. No local, depositou-se em sedimentos ultrafinos, envolvendo os organismos mortos e reproduzindo suas estruturas até o nível celular, graças a partículas microscópicas de ferro.
Crédito: Michael Frese
Esta descoberta oferece novas pistas para a paleontologia. Ao direcionar a busca para áreas que apresentam ferricretos de granulação fina, climas antigos quentes e úmidos, assim como uma geologia adequada, os cientistas poderão agora procurar outros sítios comparáveis ao redor do globo. As rochas vermelhas poderão, a partir de então, revelar outras páginas da história da vida terrestre, além dos depósitos tradicionais.
McGraths Flat revela, assim, que as condições de preservação fóssil são mais diversificadas do que se estimava anteriormente. Os futuros avanços no conhecimento da vida terrestre antiga podem muito bem emergir dessas rochas ferruginosas, há muito negligenciadas, proporcionando uma perspectiva inédita sobre o nosso patrimônio natural.