🌀 A gravidade, um simples motor térmico à escala do Universo?

Publicado por Adrien,
Fonte: Physical Review Letters
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A gravidade poderia ser uma manifestação da termodinâmica, a ciência do calor e da energia.

É a ideia explorada por pesquisadores do Imperial College London, que propõem que ela atue como um motor térmico, transformando calor em trabalho. Uma pista que pode resolver grandes enigmas cosmológicos.


A teoria da relatividade geral de Einstein descreve a gravidade como uma curvatura do espaço-tempo. Mas ela tem dificuldade em explicar por que a energia do vácuo é tão baixa em comparação com as previsões quânticas: o famoso problema da constante cosmológica. Essa divergência levou os físicos a buscar alternativas. A abordagem termodinâmica pode oferecer um novo caminho, ao relacionar a gravidade a processos de calor e entropia já observados em buracos negros.

Tudo começou em 1995, quando o físico Ted Jacobson inverteu a lógica de Hawking e Bekenstein. Em vez de deduzir uma temperatura a partir da gravidade, ele usou a termodinâmica para derivar a equação de Einstein. Uma ideia brilhante, mas que ficou sem continuidade por décadas. Joao Magueijo, autor principal do novo estudo, lembrou-se dela durante as férias em uma ilha grega isolada. Ele percebeu que as tentativas anteriores tentavam encaixar teorias existentes na construção de Jacobson, em vez de deixar a termodinâmica guiar.

Com seu doutorando Ray Isichei, Magueijo modelou a gravidade como um ciclo de Otto, o princípio dos motores a gasolina. Em um motor, o calor não é a única fonte de energia: há também trabalho, reações químicas. Então eles adicionaram esse "algo mais" ao processo termodinâmico, sem presumir o resultado. Essa abordagem aberta permitiu derivar uma nova teoria da gravidade, na qual matéria e energia podem ser criadas ou destruídas.


O ciclo termodinâmico proposto no artigo. A gravidade de Einstein corresponde ao caso degenerado em que apenas as etapas de fluxo de calor estão presentes. Ao adicionar etapas de produção de trabalho, novas teorias da gravidade emergem, incluindo aquelas onde a conservação da matéria-energia é modificada.
Crédito: Isichei and Magueijo / Physical Review Letters.

Esse resultado quase foi abandonado, pois parecia absurdo. Mas os pesquisadores perceberam que essa propriedade poderia explicar a aceleração da expansão do Universo sem recorrer à energia escura ou a uma constante cosmológica. Normalmente, a matéria comum desacelera a expansão. Mas se sua conservação for modificada, uma criação contínua de matéria pode, ao contrário, acelerar a expansão. Uma ideia audaciosa que pode resolver um problema de décadas.

Claro, essa teoria permanece especulativa. Os autores pretendem confrontá-la com observações cosmológicas, como supernovas ou a radiação cósmica de fundo. A cosmologia tornou-se uma ciência de precisão, e qualquer nova ideia deve passar pelo teste dos dados. Se for confirmada, nossa concepção da gravidade e do Universo pode ser profundamente revolucionada.
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