🦟 Os mosquitos estão picando cada vez mais humanos, e isso é evidente

Publicado por Adrien,
Fonte: Frontiers in Ecology and Evolution
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Um fenômeno surpreendente está sendo observado nos mosquitos do Brasil. Enquanto a Mata Atlântica perde terreno, esses insetos, que antes obtinham sua refeição de uma grande diversidade de animais, agora estão se voltando com mais frequência para os humanos.

Nas regiões costeiras brasileiras, a Mata Atlântica abrigava uma biodiversidade excepcional, com aves, anfíbios e mamíferos únicos. Hoje, quase dois terços dessa floresta desapareceram, substituídos por atividades humanas. Essa transformação da paisagem reduz drasticamente o número de animais disponíveis. Um estudo publicado na Frontiers in Ecology and Evolution indica que os mosquitos que vivem nos fragmentos florestais restantes compensam essa perda picando pessoas com mais frequência.


Para entender melhor esse fenômeno, os cientistas instalaram armadilhas luminosas em duas áreas protegidas do estado do Rio de Janeiro. Eles coletaram mosquitos fêmeas cheios de sangue e, em seguida, analisaram o DNA presente nesse sangue para identificar a origem da refeição. Entre as refeições identificadas, a maioria era de seres humanos, confirmando uma tendência clara.

De acordo com os autores do estudo, esse comportamento não está necessariamente ligado a uma preferência inata dos insetos por sangue humano. O acesso limitado aos hospedeiros animais tradicionais, como aves ou anfíbios, desempenha um papel central. Com menos opções disponíveis, os mosquitos recorrem à fonte mais abundante e facilmente acessível, ou seja, as populações humanas que vivem nas proximidades.

Essa mudança na dieta tem consequências importantes para a saúde pública. Nessas regiões, os mosquitos são vetores de muitos vírus, como os da febre amarela, dengue ou Zika. Uma maior proximidade com o ser humano multiplica as oportunidades de transmissão dessas doenças, o que pode ameaçar as comunidades locais.

Os resultados dessa pesquisa podem orientar ações de prevenção. Saber que os mosquitos de uma área visam principalmente humanos permite implementar uma vigilância adequada e medidas de controle mais eficazes. A longo prazo, isso também poderia incentivar estratégias que levem em conta o equilíbrio dos ecossistemas para reduzir os riscos à saúde.

Este estudo destaca a necessidade de continuar as pesquisas para entender melhor os hábitos alimentares dos mosquitos, especialmente quando eles se alimentam de vários hospedeiros diferentes. Dados mais completos ajudariam a refinar os modelos de propagação de doenças.
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