🚨 Telecomunicações: dependemos perigosamente demais dos cabos submarinos

Publicado por Cédric,
Autor do artigo: Cédric DEPOND
Fonte: Nature Electronics
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A nossa sociedade digital assenta numa artéria frágil: os cabos submarinos. Estas verdadeiras autoestradas da informação estão, no entanto, expostas a ameaças crescentes.

Um estudo recente destaca a vulnerabilidade sistémica desta infraestrutura crítica. Apela a uma diversificação urgente dos meios de telecomunicação para proteger as nossas trocas globais.


Mapa mundial dos cabos de comunicação submarinos em 2015.
Imagem Wikimedia


Uma dependência crítica com múltiplos riscos


Os cabos submarinos suportam mais de 95% do tráfego de dados internacional. A sua rutura pode isolar digitalmente um país inteiro, como aconteceu em Tonga em 2022. Os sismos submarinos provocam regularmente falhas maiores, estes incidentes naturais revelam uma fragilidade intrínseca.

As atividades humanas representam outra fonte de perigo. As âncoras de navios e a pesca de profundidade danificam frequentemente estes condutos. Atos de sabotagem direcionada são também observados em algumas zonas estratégicas, como recentemente no Mar Vermelho e no Báltico.

Esta convergência de riscos naturais e humanos preocupa os especialistas. A concentração do tráfego em alguns pontos de passagem cria estrangulamentos: um ataque coordenado poderia ter consequências económicas catastróficas. A segurança digital mundial necessita de uma abordagem mais resiliente.

Rumo a uma diversificação das infraestruturas


A solução passa pelo desenvolvimento de tecnologias complementares. As constelações de satélites em órbita baixa oferecem uma alternativa promissora, o projeto Starlink demonstra já a viabilidade desta abordagem. Estes sistemas escapam aos imprevistos dos fundos marinhos.

As plataformas estratosféricas constituem uma via inovadora. Estes drones solares assegurariam uma cobertura de internet em zonas remotas e serviriam de retransmissores temporários durante catástrofes naturais. A sua implantação permanece ainda experimental.

Redes submarinas sem fios estão também em estudo: veículos autónomos equipados com lasers formariam malhas de comunicação. Esta tecnologia beneficiaria particularmente as aplicações militares e científicas, necessita contudo de desenvolvimentos técnicos significativos.

Para ir mais longe: Quais são os desafios geopolíticos dos cabos submarinos?


O traçado dos cabos submarinos constitui um elemento de poder e influência para os Estados próximos. Mesmo que estas infraestruturas evitem cuidadosamente as zonas de conflito e as águas territoriais disputadas, o controlo destes pontos de passagem estratégicos oferece uma vantagem geopolítica considerável.

A propriedade destas artérias digitais levanta também questões de soberania. Embora maioritariamente detidos por consórcios privados internacionais, os Estados procuram monitorizar o seu funcionamento. Alguns países exigem que os cabos que aterram no seu território passem por pontos específicos, com uma vigilância que permite um controlo sobre os fluxos de dados entrantes e saentes.

A proteção destas infraestruturas tornou-se um desafio de segurança nacional maior. Navios militares patrulham por vezes perto de rotas críticas para dissuadir qualquer ataque. A capacidade de reparar rapidamente um cabo danificado é também um marcador de poder marítimo.
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