🦈 Descoberta de um novo tubarão bioluminescente na Austrália

Publicado por Adrien,
Fonte: Journal of Fish Biology
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As profundezas abissais dos oceanos permanecem como uma das últimas fronteiras inexploradas do nosso planeta, onde cada mergulho científico pode revelar formas de vida surpreendentes. Essa escuridão profunda esconde uma biodiversidade rica e variada, muitas vezes desconhecida do grande público.

Uma expedição realizada em 2022 a bordo do navio de pesquisa RV Investigator, operado pelo CSIRO, permitiu coletar espécimes que levaram à identificação de várias espécies novas. Entre as descobertas estão um tubarão-lanterna e um caranguejo-porcelana, descritos em publicações científicas em 2025. Esta missão contribuiu para a descrição de cerca de vinte espécies, com estimativas indicando que até seiscentas outras poderiam ser identificadas.


O tubarão-lanterna da Austrália Ocidental foi descrito com a ajuda de seis espécimes coletados ao largo da costa oeste australiana durante uma expedição no RV Investigator em 2022.
Crédito: Coleção Nacional Australiana de Peixes do CSIRO

O tubarão-lanterna da Austrália Ocidental, nomeado Etmopterus westraliensis, foi encontrado em profundidades que atingem 610 metros. Este pequeno predador mede cerca de 40,7 centímetros e possui grandes olhos adaptados à escuridão das profundezas. Sua capacidade de emitir luz, graças a órgãos luminosos chamados fotóforos localizados em seu ventre, torna-o particularmente notável. Esta bioluminescência pode desempenhar um papel na camuflagem ou na comunicação entre indivíduos. Os pesquisadores utilizaram seis espécimes para descrever esta espécie, que é a terceira nova espécie de tubarão proveniente da mesma expedição, juntando-se a outras descobertas anunciadas anteriormente.

Por sua vez, o novo caranguejo-porcelana, Porcellanella brevidentata, vive em simbiose com pennatuláceos, corais moles aparentados às gorgônias. Com um tamanho de cerca de 15 milímetros, sua cor opalescente branco-amarelada permite que se camufle entre as estruturas de seu hospedeiro. Este caranguejo alimenta-se filtrando plâncton graças a peças bucais modificadas dotadas de longos pelos, um método diferente do usado pelos caranguejos típicos que utilizam suas pinças. Os espécimes foram coletados ao longo da costa de Ningaloo em profundidades de até 122 metros, durante levantamentos detalhados.

Estas descobertas somam-se a uma lista crescente de espécies novas identificadas graças a expedições similares, destacando a riqueza da biodiversidade marinha. A exploração dos fundos marinhos é essencial para aumentar nosso conhecimento sobre os ecossistemas profundos e seu papel no equilíbrio oceânico. Os pesquisadores estimam que muitas espécies ainda permanecem a serem descobertas, o que poderia ter implicações para a conservação e gestão dos recursos marinhos. Estes esforços também contribuem para compreender melhor as adaptações evolutivas face às mudanças ambientais.


O que tem quatro pinças e está radiante por ser uma nova espécie para a ciência? Este pequeno caranguejo-porcelana, claro!
Crédito: CSIRO-Cindy Bessey

Os cientistas planejam continuar estas explorações com novas missões, como uma expedição programada no parque marinho do Mar de Coral. Esta iniciativa reúne numerosos pesquisadores que participaram da missão de 2022, assim como novos colaboradores, para aprofundar o mapeamento da biodiversidade das profundezas. Estas viagens permitem transformar a curiosidade em descobertas concretas, fortalecendo nossa compreensão da vida marinha e abrindo caminho para futuros avanços científicos.

A bioluminescência nas criaturas das profundezas


A bioluminescência é um fenômeno natural onde os organismos vivos produzem luz graças a reações químicas. Esta capacidade é difundida nas profundezas oceânicas, onde a escuridão é quase total. Criaturas como medusas, peixes e alguns crustáceos utilizam esta luz para várias funções, como predação, defesa ou reprodução. Os mecanismos envolvem frequentemente uma enzima chamada luciferase e um substrato, a luciferina, que reagem para emitir um brilho. Esta adaptação permite que as espécies sobrevivam em ambientes hostis onde a visão é limitada.

Nas profundezas, a bioluminescência serve principalmente para a atração de presas ou a comunicação entre indivíduos. Por exemplo, alguns peixes utilizam iscas luminosas para atrair presas, enquanto outros emitem flashes para assustar predadores. Esta estratégia é energeticamente custosa, mas oferece vantagens significativas em um meio onde o alimento é escasso. Os pesquisadores estudam estes mecanismos para compreender como a evolução favoreceu tais características em condições extremas.

As aplicações da bioluminescência vão além da biologia marinha, inspirando avanços na medicina e tecnologia. Os cientistas utilizam genes bioluminescentes como marcadores na pesquisa genética, permitindo visualizar processos celulares. Além disso, o estudo destes organismos ajuda a desenvolver materiais luminescentes ou sensores ambientais. Compreender a bioluminescência das profundezas enriquece assim nosso conhecimento sobre a vida e abre perspectivas para a inovação científica.

Finalmente, a preservação destes ecossistemas é importante, pois a poluição e as mudanças climáticas poderiam afetar as espécies bioluminescentes. A luz artificial das atividades humanas pode perturbar seus comportamentos, ameaçando sua sobrevivência. Os esforços de conservação devem levar em conta estes aspectos para proteger a biodiversidade marinha e manter o equilíbrio dos ecossistemas profundos.
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