🐛 16 000 novas espécies descobertas todos os anos: um recorde!

Publicado por Adrien,
Fonte: Science Advances
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Todos os anos, os cientistas inscrevem milhares de nomes adicionais no grande livro da vida.

Esta dinâmica foi lançada pelos trabalhos do naturalista sueco Carl Linné, que estabeleceu as bases da classificação moderna há três séculos. Hoje, um estudo liderado pela Universidade do Arizona e publicado na Science Advances confirma que esta procura está a ocorrer a uma velocidade recorde. Entre 2015 e 2020, mais de 16 000 novas espécies foram oficialmente descritas a cada ano, um número que não mostra qualquer sinal de abrandamento.


Este lagarto encapuzado da Costa Rica é um exemplo das mais de 100 novas espécies de répteis descritas anualmente.
Crédito: John J. Wiens

Esta aceleração é particularmente visível em alguns grupos. Os investigadores estimam, assim, que o número total de espécies de peixes possa aproximar-se dos 115 000, quando apenas 42 000 estão atualmente catalogadas. Da mesma forma, as projeções para os anfíbios indicam um potencial de 41 000 espécies, muito além das 9 000 conhecidas até hoje. John Wiens, professor e autor principal do estudo, especifica que estas milhares de descobertas anuais incluem uma grande diversidade de organismos, desde insetos a plantas, passando pelos vertebrados.

Paralelamente, os métodos de identificação evoluem constantemente e abrem novas perspetivas. Atualmente, a maioria das novas espécies é reconhecida graças às suas características visíveis. No entanto, as ferramentas moleculares estão a desenvolver-se e permitirão em breve revelar as chamadas espécies 'crípticas', indiscerníveis sem análise genética. Esta abordagem promete descobertas em particular no lado das bactérias e dos fungos.


Entre as descobertas anuais, cerca de 6 000 são insetos, como esta fulgorídea originária da Índia.
Crédito: John J. Wiens

Para além da simples curiosidade científica, esta documentação ativa tem implicações muito concretas. Uma espécie deve primeiro ser oficialmente descrita para poder ser protegida. Além disso, a descoberta de novos organismos oferece recursos potenciais para a medicina e a tecnologia, à imagem de alguns medicamentos inspirados por animais ou de materiais concebidos inspirando-se em capacidades naturais.

Para o futuro, os investigadores desejam mapear as zonas geográficas onde a biodiversidade não descoberta é provavelmente mais importante. Eles interessam-se também pelo perfil dos cientistas que fazem estas descobertas, observando se o trabalho se desloca progressivamente para investigadores que estudam a fauna e a flora da sua própria região.

Este trabalho colossal, iniciado há 300 anos, está longe de estar terminado e cada nova espécie ajuda-nos a compreender melhor a riqueza da vida na Terra.


A víbora-de-nariz-bossudo da Índia faz parte dos répteis descobertos. Avalia-se que poderão existir mais de 16 000 espécies de répteis no total.
Crédito: John J. Wiens


A taxonomia moderna: nomear para compreender


A taxonomia é a ciência da classificação dos seres vivos. Ela foi profundamente transformada por Carl Linné no século XVIII com a introdução do sistema de nomenclatura binomial, que atribui a cada espécie um nome composto por duas partes, como *Homo sapiens*. Este sistema universal permite que cientistas de todo o mundo se refiram precisamente à mesma espécie.

Este trabalho de classificação baseia-se na observação minuciosa das características morfológicas, como a forma das folhas para as plantas ou a estrutura das asas para os insetos. Os taxonomistas comparam estas características para estabelecer laços de parentesco e organizar o ser vivo em categorias encaixadas: o reino, o filo, a classe, a ordem, a família, o género e finalmente a espécie.

Hoje, a taxonomia integra cada vez mais os dados genéticos. A análise do ADN permite confirmar ou corrigir classificações baseadas apenas na aparência, revelando por vezes que o que era considerado uma única espécie esconde na realidade várias. Esta evolução torna o mapeamento da biodiversidade mais preciso e mais fiável.

Esta disciplina é fundamental porque constitui a primeira etapa de qualquer estudo biológico. Sem um nome e um lugar na árvore da vida, é impossível proteger uma espécie, estudar a sua ecologia ou avaliar o seu papel num ecossistema. Ela estabelece as bases essenciais do nosso conhecimento da natureza.
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