Por que algumas trajetórias financeiras pessoais progridem regularmente, enquanto outras sofrem recuos súbitos?
Esta questão, no centro dos estudos sobre mobilidade de renda, encontra elementos de resposta numa vasta análise realizada na Noruega, um paÃs reconhecido pelo seu alto nÃvel de mobilidade econômica. Pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, associados a equipes internacionais, analisaram os dados de cerca de 300 mil pessoas para identificar as molas das ascensões e quedas financeiras.
Inversamente, as quedas de renda obedecem a outra lógica. Elas estão frequentemente ligadas a uma diminuição da renda do capital. Essas perdas geralmente ocorrem paralelamente a reduções nos rendimentos do emprego, mas as variações que afetam o capital costumam ter o efeito mais marcante. Para a maioria dos indivÃduos, o trabalho remunerado continua sendo indispensável para manter ou melhorar sua posição financeira. Consequentemente, a volatilidade do capital pode causar recuos notáveis, mesmo num ambiente de emprego aparentemente estável.
Assim, uma progressão sustentada dos rendimentos começa mais frequentemente com ganhos estáveis provenientes do trabalho. Esses rendimentos permitem então poupar e gerar rendimentos do capital. O estudo mostra que a estabilidade financeira e o avanço dependem principalmente dos ganhos regulares do emprego, sendo o capital frequentemente adicionado posteriormente.
A volatilidade do rendimento do capital deve-se à sua dependência das condições econômicas e dos mercados financeiros. Por exemplo, os valores das ações podem flutuar diariamente, e os preços dos imóveis podem variar conforme as regiões. Isso torna esse tipo de rendimento menos previsÃvel do que os salários, que geralmente seguem uma progressão mais linear com a antiguidade e as competências.
Para a maioria dos indivÃduos, o rendimento do capital representa uma parcela minoritária de seus ganhos totais. As pessoas com altos rendimentos frequentemente tiram um benefÃcio maior dele, o que pode acentuar as desigualdades.