No caso em que várias pessoas com gripe compartilham uma sala fechada com outras perfeitamente saudáveis por longas horas, a propagação do vírus parece inevitável. Contudo, uma experiência recente demonstrou que nenhuma infecção ocorreu, apesar da proximidade sustentada. Este resultado inesperado abala algumas certezas relativas à transmissão de doenças respiratórias.
Para chegar a esta observação, cientistas reproduziram esta situação num hotel da região de Baltimore. Durante duas semanas, cinco estudantes gripados e onze voluntários saudáveis realizaram atividades diárias em conjunto, como conversas e sessões de yoga, num espaço confinado. Este método tinha como objetivo imitar interações sociais reais enquanto controlava as condições ambientais.
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A ausência de transmissão explica-se por vários fatores. Os participantes doentes tossiam muito pouco, o que limitou a quantidade de vírus libertada no ar circundante. Além disso, a sala estava equipada com um sistema de aquecimento e desumidificação que misturava rapidamente o ar, diluindo assim as partículas virais presentes. Estes elementos criaram um ambiente menos propício à contaminação.
A idade dos voluntários também pode ter influenciado os resultados. Os adultos de meia-idade, como os envolvidos no estudo, são frequentemente menos sensíveis à gripe do que os jovens adultos. Esta diferença de suscetibilidade natural talvez tenha contribuído para reduzir o risco de infeção.
Estas observações oferecem pistas concretas para a prevenção. Em espaços interiores onde o ar circula mal, o risco de contrair gripe aumenta. Assegurar uma boa ventilação, por exemplo com purificadores de ar, pode portanto ajudar a proteger os ocupantes. Usar máscara, nomeadamente do tipo N95, continua a ser uma medida eficaz durante contactos próximos com uma pessoa que apresenta sintomas.
O estudo foi publicado na PLOS Pathogens e baseia-se num acompanhamento rigoroso. Todos os dias, foram recolhidas amostras nasais, de saliva e de ar exalado com a ajuda de aparelhos especializados. Este método permitiu medir com precisão a exposição viral e confirmar a ausência de infeção nos participantes saudáveis, reforçando a fiabilidade dos dados.
Compreender como a gripe se transmite é importante para a saúde pública. Todos os anos, esta doença afeta milhões de pessoas em todo o mundo, levando a hospitalizações e mortes. Estratégias baseadas numa melhor gestão da qualidade do ar poderão contribuir para limitar o impacto das epidemias sazonais, oferecendo assim ferramentas adicionais para a proteção coletiva.
O papel da ventilação na dispersão dos vírus
A ventilação refere-se ao movimento do ar num espaço fechado. Quando o ar está estagnado, as partículas virais exaladas por uma pessoa infetada podem permanecer em suspensão e acumular-se, aumentando o risco para os outros ocupantes. Em contrapartida, uma boa renovação do ar permite diluir essas partículas e evacuá-las para o exterior.
Sistemas como purificadores de ar ou simplesmente a abertura de janelas favorecem este processo. Eles criam correntes que misturam o ar, reduzindo assim a concentração de vírus no ambiente. Esta abordagem é particularmente útil em locais públicos onde as pessoas se reúnem, como escritórios ou escolas.
A eficácia depende de vários fatores, como o fluxo de ar e o tamanho da sala. Normas de ventilação adequadas podem, portanto, desempenhar um papel fundamental na prevenção de infeções respiratórias, complementando outras medidas como o uso de máscara ou a vacinação.