🧠 A obesidade e a pressão arterial causam diretamente demência

Publicado por Adrien,
Fonte: The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism
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Os problemas de peso e de pressão arterial não seriam apenas sinais de alarme, mas elementos desencadeadores diretos da demência. Um novo estudo acaba de o confirmar.

Publicada em The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, esta pesquisa baseia-se na análise de dados genéticos e médicos provenientes de grandes coortes na Dinamarca e no Reino Unido. Para estabelecer ligações de causa e efeito, longe das simples correlações, os cientistas adotaram uma abordagem metodológica chamada randomização mendeliana.


Os resultados indicam claramente que um índice de massa corporal elevado contribui diretamente para o risco de demência. Por outro lado, a hipertensão arterial surge como um mecanismo explicativo importante desta relação, o que evidencia o interesse de monitorizar estes dois parâmetros.

Estas descobertas abrem pistas concretas para a prevenção. Agir sobre o peso e a tensão antes do aparecimento dos sintomas cognitivos poderia assim reduzir a probabilidade de desenvolver demência, em particular nas suas formas vasculares. Embora os medicamentos para a perda de peso não tenham mostrado eficácia uma vez a doença instalada, uma intervenção precoce poderia mudar o rumo da situação.

Como a obesidade e a hipertensão afetam o cérebro


O excesso de peso e uma pressão arterial elevada podem danificar os vasos sanguíneos do cérebro. Este fenómeno reduz o aporte de oxigénio e nutrientes, o que pode conduzir a lesões cerebrais progressivas e a um declínio cognitivo.

A hipertensão, em particular, exerce uma pressão constante sobre as artérias, favorecendo a inflamação e o stress oxidativo. Estes processos alteram a função dos neurónios e aceleram a degeneração ligada a formas de demência como a demência vascular.

Além disso, a obesidade está frequentemente associada a desequilíbrios metabólicos, tais como a resistência à insulina, que também podem prejudicar a saúde cerebral. Estas interações múltiplas explicam porque é que o controlo destes fatores é importante para preservar as capacidades mentais.

A randomização mendeliana na prática


Este método estatístico utiliza variações genéticas herdadas para imitar os ensaios randomizados. Ao explorar o acaso da transmissão genética, permite estabelecer ligações causais entre um fator, como a obesidade, e uma doença, tal como a demência, sem os vieses dos estudos observacionais.

A sua aplicação neste estudo permitiu confirmar que a obesidade e a hipertensão são causas diretas, e não apenas fatores de risco. Isto reforça a credibilidade das observações e orienta futuras pesquisas em saúde pública.

Apesar das suas vantagens, a randomização mendeliana apresenta algumas limitações, como a necessidade de variantes genéticas bem identificadas. Constitui, no entanto, uma ferramenta interessante para explorar os mecanismos subjacentes às patologias multifatoriais.
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