🧠 Um terço da humanidade carrega um parasita potencialmente ativo no cĂ©rebro

Publicado por Adrien,
Fonte: Nature Communications
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Aproximadamente um terço da humanidade possui um parasita escondido no cérebro. Longamente considerado inativo, descobriu-se recentemente que este apresenta uma atividade inesperada e estruturada.

Uma equipe da Universidade da Califórnia em Riverside publicou resultados na Nature Communications. O trabalho deles indica que o Toxoplasma gondii, causador da toxoplasmose, apresenta uma organização biológica muito mais elaborada do que se supunha.


Nosso conhecimento atĂ© agora retratava os cistos formados pelo parasita como reservatĂłrios homogĂȘneos e dormentes. Graças a mĂ©todos de anĂĄlise unicelular, os pesquisadores identificaram vĂĄrios subtipos distintos dentro de cada cisto. Emma Wilson, professora de ciĂȘncias biomĂ©dicas, compara essas estruturas a centros ativos onde diferentes parasitas desempenham papĂ©is especĂ­ficos para a sobrevivĂȘncia ou propagação.

Esses cistos se desenvolvem principalmente nos neurĂŽnios e tecidos musculares, podendo atingir atĂ© 80 micrĂŽmetros de diĂąmetro. Eles contĂȘm centenas de parasitas chamados bradizoĂ­tos, medindo cerca de cinco micrĂŽmetros. O consumo de carne mal cozida, que pode abrigĂĄ-los, Ă© uma via comum de infecção em humanos.

Essa diversidade interna dos cistos desempenha um papel determinante na persistĂȘncia da infecção e na transmissĂŁo da doença. Quando o sistema imunolĂłgico enfraquece, alguns subtipos podem se reativar em formas agressivas, causando danos neurolĂłgicos ou oculares.

O estudo superou obståculos técnicos utilizando um modelo murino próximo da infecção natural. Os camundongos, hospedeiros intermediårios naturais, acumulam muitos cistos no cérebro. Ao isolå-los e analisar os parasitas individualmente, os cientistas obtiveram uma visão detalhada da infecção crÎnica em tecidos vivos, o que era anteriormente difícil.

Essas descobertas agora direcionam a pesquisa para alvos terapĂȘuticos mais precisos. Ao identificar os subtipos com maior probabilidade de reativação, pode-se vislumbrar tratamentos que ataquem especificamente os cistos. Isso representa uma esperança para melhor gerenciar a toxoplasmose, especialmente em casos de risco como infecçÔes durante a gravidez.

O ciclo de vida do Toxoplasma gondii


Este parasita segue um ciclo que envolve vĂĄrios hospedeiros. Os gatos, que sĂŁo hospedeiros definitivos, excretam oocistos em suas fezes, que contaminam o solo ou a ĂĄgua. Humanos e outros animais, como os camundongos, hospedeiros intermediĂĄrios, se infectam ao ingerir esses oocistos ou consumir carne contendo cistos.

Uma vez dentro, o parasita penetra as cĂ©lulas e se multiplica rapidamente na forma de taquizoĂ­tos. Ele se desloca pelo corpo via corrente sanguĂ­nea, podendo alcançar vĂĄrios ĂłrgĂŁos como o cĂ©rebro ou mĂșsculos. Esta fase corresponde Ă  infecção aguda, frequentemente assintomĂĄtica em pessoas saudĂĄveis.

Para escapar do sistema imunolĂłgico, os taquizoĂ­tos se transformam em bradizoĂ­tos e formam cistos nos tecidos. Essas estruturas permitem que o parasita persista por toda a vida, permanecendo geralmente inativo. O ciclo se completa quando hospedeiros intermediĂĄrios infectados sĂŁo consumidos por gatos, permitindo que o parasita se reproduza sexualmente.

Esse conhecimento do ciclo esclarece a razĂŁo pela qual o Toxoplasma Ă© tĂŁo difundido e difĂ­cil de erradicar. Os cistos garantem sua transmissĂŁo entre espĂ©cies e sua resistĂȘncia aos tratamentos, tornando-o uma questĂŁo importante de saĂșde pĂșblica.
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