🌍 O clima ligado à anomalia gravitacional sob a Antártida ?

Publicado por Adrien,
Fonte: Scientific Reports
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A Antártida possui uma particularidade surpreendente: uma anomalia gravitacional, uma área onde a gravidade é mais fraca do que a média do nosso planeta.

Não se trata de um buraco no solo. A força da gravidade muda naturalmente na superfície do globo de acordo com a distribuição das massas em profundidade. Nesta região, a força gravitacional é reduzida de maneira ínfima, imperceptível para um humano. Um objeto de 100 quilogramas pesaria apenas alguns gramas a menos aqui, mas esta diferença revela processos geológicos maiores.


Mapas mostrando a evolução das anomalias do geóide terrestre em três períodos: 65 milhões de anos, 40 milhões de anos e hoje.

Estes mapas são calculados a partir de uma reconstituição da estrutura do manto terrestre. Um quarto mapa mostra as anomalias atuais obtidas com um modelo tomográfico moderno. A estrela amarela indica a localização atual do ponto mais baixo do geóide terrestre. A estrela magenta marca a área de depressão máxima do geóide após correção do efeito gravitacional da crosta.

As comparações com as observações mostram uma forte correspondência, atingindo até 96% de redução da diferença na Antártida.

Para entender esta anomalia, pesquisadores usaram imagens do manto terrestre obtidas a partir das ondas sísmicas. Modelando o fluxo das rochas ao longo de milhões de anos, eles puderam reconstituir a evolução desta fossa gravitacional. Suas simulações revelam uma persistência surpreendente. O trabalho, conduzido pela Universidade da Flórida, indica que o fenômeno é consistente e durável, oferecendo uma visão das dinâmicas internas.

Portanto, esta anomalia não é um fenômeno passageiro. Ela existe há cerca de 70 milhões de anos, mesmo que sua intensidade tenha evoluído ao longo do tempo. Os modelos mostram que as mudanças coincidem com eventos geológicos maiores, como a glaciação da Antártida há 34 milhões de anos. Esta sincronização leva a pensar que os processos internos poderiam influenciar as condições na superfície, embora ligações diretas ainda precisem ser confirmadas.

A modificação da gravidade poderia influenciar o nível local do mar. O que levanta novas questões sobre a interação entre os processos internos da Terra e o clima. Os cientistas exploram agora como estas mudanças gravitacionais poderiam afetar a estabilidade das calotas de gelo, com implicações para a compreensão do passado e do futuro do nosso planeta.

Além disso, estas descobertas não concernem apenas a Terra. Em outros planetas como Marte ou Vênus, anomalias gravitacionais análogas poderiam revelar dinâmicas internas de longa duração. A Terra, com seus dados sísmicos e geológicos, oferece um caso de estudo para reconstruir a história evolutiva dos planetas, permitindo comparações no Sistema Solar.

Os resultados desta pesquisa foram publicados na revista Scientific Reports. Os próximos passos incluem modelagens acopladas para testar as hipóteses climáticas, com a esperança de esclarecer ainda mais estas interações.
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