Para lidar com agendas bem preenchidas, muitos jovens procuram soluções para aumentar sua energia e desempenho esportivo. Mas atenção: alguns produtos muito populares no universo do fitness podem revelar-se prejudiciais para o sono.
Uma pesquisa realizada no Canadá debruçou-se sobre esse assunto. Ao entrevistar pessoas com idades entre 16 e 30 anos, os cientistas constataram que aqueles que usavam suplementos pré-treino tinham mais do que o dobro de probabilidade de dormir cinco horas ou menos por noite. Essa duração está bem abaixo das oito horas geralmente aconselhadas para essa faixa etária.
Imagem de ilustração Unsplash
Esses suplementos contêm frequentemente doses importantes de cafeína e outros estimulantes. Por exemplo, uma porção pode ter entre 90 e 350 miligramas de cafeína, o que ultrapassa largamente as quantidades encontradas numa lata de refrigerante ou numa chávena de café típica. Esse teor elevado pode explicar as perturbações observadas nos hábitos de sono.
Para compreender melhor, comparemos com bebidas comuns. Uma lata de cola contém cerca de 35 mg de cafeína, enquanto um café tem cerca de 100 mg. Assim, uma única porção de suplemento pode fornecer várias vezes essa quantidade, o que dificulta o adormecimento e mantém o corpo em estado de vigília prolongada.
Em consequência, as recomendações de sono para os adolescentes, que vão de 8 a 10 horas por noite, e para os jovens adultos, de 7 a 9 horas, raramente são atingidas. Muitos jovens não dormem o suficiente, e os ingredientes estimulantes presentes nesses produtos arriscam agravar esse problema num período importante de crescimento e desenvolvimento.
Segundo os pesquisadores, os profissionais de saúde como pediatras e médicos de família deveriam questionar os jovens pacientes sobre o uso desses suplementos. Eles propõem também medidas simples, como evitar esses produtos 12 a 14 horas antes de deitar, para limitar os efeitos no descanso.
Os jovens consideram geralmente esses suplementos como seguros. Contudo, essa pesquisa evidencia a importância de uma melhor informação para os consumidores e seus próximos, sobre as repercussões na saúde, que ultrapassam o âmbito da melhoria do desempenho.
Os mecanismos da cafeína no organismo
A cafeína é uma substância que atua principalmente no sistema nervoso central. Ela liga-se aos recetores de adenosina, uma molécula que promove a sonolência e sinaliza o cansaço ao cérebro. Ao bloquear esses recetores, a cafeína impede que a adenosina funcione normalmente, o que dá uma sensação de vigília e de energia aumentada.
No entanto, esse efeito tem um reverso. O acúmulo de adenosina durante o dia é essencial para desencadear a necessidade de dormir à noite. Quando a cafeína interfere, o corpo pode atrasar o adormecimento, reduzindo assim a duração e a qualidade do sono. Isso explica por que consumir cafeína tarde no dia pode perturbar os ciclos de repouso.
Além disso, a cafeína tem uma meia-vida de cerca de 5 a 6 horas, o que significa que ela permanece ativa no organismo muito tempo após o seu consumo. Para os jovens que usam suplementos pré-treino no final da tarde ou à noite, isso pode levar a dificuldades em adormecer e a despertares frequentes durante a noite.
Também é útil saber que a sensibilidade à cafeína difere de pessoa para pessoa. Fatores como idade, peso e hábitos alimentares influenciam como o corpo metaboliza essa substância. Assim, até mesmo doses moderadas podem ter efeitos pronunciados em alguns indivíduos, principalmente nos adolescentes cujo cérebro ainda está em desenvolvimento.