📱 Por que as notificações nos atraem tanto: uma explicação em nossa herança ancestral

Publicado por Adrien,
Fonte: PLOS Biology
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Por que é tão difícil manter o foco diante das incessantes notificações do telefone? Trabalhos recentes sugerem que essa dificuldade pode vir de um mecanismo cerebral fundamental, profundamente enraizado em nosso funcionamento.

Um estudo realizado na Universidade de Rochester demonstra que nossa atenção não permanece estável. Ela oscila segundo um ciclo muito rápido, alternando entre fases de focalização e momentos em que é mais facilmente atraída para elementos externos. Esses ciclos ocorrem aproximadamente sete a dez vezes a cada segundo, o que representa várias centenas de milhares de ocorrências por dia.


Imagem ilustrativa Unsplash

Para examinar esse fenômeno, os cientistas registraram a atividade cerebral de voluntários com o auxílio de um eletroencefalograma. Os participantes deviam fixar um quadrado cinza no centro de uma tela enquanto ignoravam pontos coloridos que apareciam nas laterais. Os dados, limpos de movimentos oculares, revelaram padrões repetitivos na atividade do cérebro.

Esses padrões rítmicos permitiam prever os momentos em que a atenção se tornava mais frágil diante das distrações. Nas fases em que o desempenho para detectar o alvo central diminuía, os participantes se mostravam mais vulneráveis aos elementos perturbadores. Esse mecanismo teria constituído uma vantagem para nossos ancestrais, permitindo-lhes monitorar o ambiente enquanto realizavam uma tarefa.

Atualmente, esse mesmo ritmo cerebral pode se transformar em uma desvantagem. Em um ambiente saturado de telas e alertas visuais, essas breves janelas em que a atenção é menos estável nos tornam mais sensíveis às interrupções. O pesquisador principal do estudo publicado na PLOS Biology esclarece que o que favorecia a sobrevivência antigamente pode hoje prejudicar nossa produtividade.

Essas descobertas poderiam permitir compreender certos transtornos como o TDAH. Embora o estudo não tenha se concentrado nessa condição, ela abre uma via de pesquisa. É possível que, nesses transtornos, a alternância entre os estados de concentração e de vigilância seja menos frequente, o que afetaria a flexibilidade cognitiva.

A longo prazo, a compreensão desses ciclos poderia levar a métodos que ajudem a modular a atenção. Identificando os momentos em que o cérebro é mais permeável às distrações, seria possível criar ferramentas para melhorar a concentração quando necessário.
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