⚕️ Quando um vírus transporta outro: o "cavalo de Troia" dos deltavírus

Publicado por Adrien,
Fonte: CNRS INSB
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Alguns vírus minúsculos, chamados deltavírus, só podem se propagar apoiando-se em outros vírus.

Um estudo publicado na Cell mostra que eles podem até viajar escondidos dentro das partículas desses vírus "auxiliares", como em um cavalo de Troia. Graças à imagem de alta resolução e a testes de infectividade, os cientistas revelam esse modo de transmissão inesperado, observado com vários vírus muito diferentes, o que poderia influenciar o tropismo e a evolução desses agentes infecciosos.

Vírus dependentes de um vírus "auxiliar"


Por décadas, apenas um deltavírus era realmente conhecido: o vírus da hepatite D (HDV), que infecta humanos. Este vírus particular é classificado como um vírus satélite, porque depende de outros vírus, neste caso o da hepatite B, para se propagar.


Imagem ilustrativa Pixabay

Incapaz de fabricar sua própria proteína de envelope, ele utiliza as proteínas de superfície de seu vírus parceiro para formar partículas infecciosas.

Nos últimos anos, no entanto, cientistas descobriram muitos deltavírus em diferentes espécies animais. Essa diversidade levantava uma questão essencial: como esses vírus se transmitem e de quais vírus parceiros eles dependem?

Um "cavalo de Troia" viral


Um estudo publicado na Cell revela um mecanismo surpreendente. Os deltavírus não se contentam em emprestar proteínas de envelope: eles podem ser transportados diretamente dentro das partículas de outro vírus.

Os cientistas descrevem esse processo como um "cavalo de Troia viral". O deltavírus é empacotado na partícula do vírus "auxiliar" e assim entra em uma nova célula usando a porta de entrada deste último. Ou seja, o vírus "auxiliar" serve ao mesmo tempo como veículo e passaporte para permitir a infecção.

Passageiros clandestinos em partículas virais


Concretamente, os cientistas mostram que deltavírus podem "pegar carona" (hitchhiking em inglês) nas partículas de vírus "auxiliares".

Os experimentos mostram que esse fenômeno pode ocorrer com vírus muito diferentes:
- o vírus da estomatite vesicular (VSV), que infecta o gado e é transmitido por insetos, mas frequentemente usado como modelo experimental;
- HSV-1, o vírus do herpes simplex tipo 1, que infecta células nervosas em humanos;
- um reptarenavírus, vírus que infecta cobras.

O fato de observar esse mecanismo com vírus pertencentes a famílias muito distantes sugere que esse modo de propagação poderia ser relativamente geral entre os deltavírus.

Uma demonstração por imagem e testes de infectividade


Para demonstrar esse mecanismo, os cientistas usaram um sistema experimental baseado em células em cultura. Células infectadas ou coinfectadas produzem partículas virais que podem então ser analisadas.

Os pesquisadores combinaram várias abordagens complementares:
- testes de infectividade, para verificar que as partículas produzidas transmitem efetivamente o deltavírus;
- microscopia eletrônica e imagem de super-resolução, permitindo observar partículas compatíveis com a presença de um deltavírus dentro do virion auxiliar.

Essa estratégia que liga estrutura e função permite mostrar que essas partículas não são apenas visíveis, mas também são capazes de garantir a transmissão viral.

Uma nova visão da biologia dos deltavírus


Os deltavírus possuem um genoma extremamente pequeno. Essa simplicidade os torna fortemente dependentes de outros vírus para completar seu ciclo infeccioso.

O mecanismo do "vírus dentro de um vírus" constitui uma solução elegante para essa restrição: em vez de viajarem sozinhos, esses vírus se deslocam dissimulados nas partículas de um parceiro.

Essa estratégia poderia influenciar vários aspectos importantes de sua biologia:
- o tropismo viral, ou seja, os tipos de células ou tecidos que eles podem infectar;
- as mudanças de hospedeiro, se um deltavírus puder usar diferentes vírus auxiliares presentes em um novo ambiente;
- a diversidade dos deltavírus, recentemente revelada em muitas espécies animais.
Pistas, e questões em aberto

Essa descoberta abre várias questões. Os cientistas buscam agora determinar se esse mecanismo de "cavalo de Troia" existe em infecções naturais e o quão difundido ele é no mundo viral.

Compreender como um deltavírus escolhe ou troca de vírus transportador também poderia esclarecer a ecologia e a evolução desses vírus satélites.

Finalmente, esses trabalhos mostram que poderia ser útil explorar mais amplamente a presença dos deltavírus em humanos, potencialmente em outros tecidos além do fígado e em diferentes contextos clínicos.
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