🔬 Reproduzindo o ambiente do corpo humano em laboratório

Publicado por Adrien,
Fonte: Lab on a Chip
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Nossas células são constantemente empurradas, esticadas e comprimidas sem que tenhamos consciência disso: um jogo de forças invisíveis que influencia seu comportamento. Um estudo publicado na revista Lab on a Chip propõe um método preciso e controlável para reproduzir esse comportamento em laboratório.

Em nosso corpo, as células não vivem isoladas. Elas são cercadas por um ambiente chamado matriz extracelular, uma espécie de rede composta por proteínas e açúcares. Essa estrutura sustenta as células e também lhes transmite tensões mecânicas. Essas forças influenciam funções essenciais como o crescimento, a cicatrização ou até mesmo o aparecimento de certas doenças.


Microestruturas de hidrogel sensíveis à luz integradas em uma rede de colágeno. A microestrutura em primeiro plano é iluminada por um laser verde, fazendo com que ela se contraia. Esta contração remodela a rede de colágeno e exerce forças sobre as células circundantes.
Crédito: Vicente Salas-Quiroz

Para estudar esses fenômenos, pesquisadores projetaram minúsculas estruturas de hidrogel. Esses materiais particulares se assemelham a géis capazes de mudar de forma quando recebem um sinal, como luz ou uma variação de temperatura. Ao integrá-los em um chip de laboratório, os cientistas podem criar um ambiente controlado e observar com precisão a reação das células.

Quando se contraem ou se dilatam, essas microestruturas exercem forças sobre os tecidos biológicos ao redor. Isso permite reproduzir, em escala muito pequena, as tensões mecânicas que as células sofrem no corpo. Um dos pontos fortes dessa técnica é sua precisão; os cientistas podem controlar tanto o local quanto o momento em que as forças são aplicadas. Seguindo minúsculas esferas fluorescentes, eles medem até como essas forças se propagam nos tecidos.

Graças a este dispositivo, os pesquisadores podem trabalhar com modelos tridimensionais, mais próximos da realidade do que as culturas celulares clássicas. Eles podem, por exemplo, simular tecidos tumorais ou observar a formação de vasos sanguíneos em condições realistas. Os hidrogéis utilizados são compostos por polímeros capazes de reter água, podendo inchar ou se contrair dependendo das condições. Esta propriedade os torna úteis para imitar os movimentos e pressões presentes nos tecidos vivos.

A matriz extracelular desempenha um papel fundamental em certas patologias. Se ela se torna muito rígida ou, ao contrário, muito frágil, pode perturbar o comportamento das células. Isso pode favorecer doenças como o câncer ou a fibrose. Ao reproduzir essas tensões em laboratório, os pesquisadores esperam identificar com mais precisão as anomalias e melhorar os diagnósticos, ou até mesmo conceber novas abordagens terapêuticas.
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