💡 O brilho noturno da Terra aumentou 16% em oito anos

Publicado por Adrien,
Fonte: Nature
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Desde o espaço, a noite terrestre se reveste de um véu de pontos luminosos que ganha gradualmente em intensidade. Este aumento do brilho global, porém, esconde evoluções opostas, com algumas áreas vendo suas noites se tornarem mais escuras.

Uma equipe internacional estudou imagens de satélite capturadas entre 2014 e 2022. Seus resultados indicam que a iluminação artificial noturna aumentou 16% no mundo neste período. Este aumento geral é impulsionado principalmente por países em desenvolvimento, onde o acesso à eletricidade se generaliza. Paralelamente, as superfícies onde o brilho diminui também se expandem a cada ano, desenhando um quadro contrastante da evolução de nossas noites.


Imagem Wikimedia

As áreas de escurecimento geralmente resultam de eventos súbitos, como conflitos ou desastres naturais. Na Ucrânia, por exemplo, uma diminuição clara foi observada após o início da invasão russa em 2022. Outros territórios, como a França, veem uma redução de sua iluminação através de políticas voluntárias de economia de energia, com uma queda de 33%.

Para obter essas medições, os cientistas usaram dados da ferramenta Black Marble da NASA. Este instrumento se baseia em algoritmos que processam as informações do sensor VIIRS, embarcado em satélites de órbita polar. Estes algoritmos descartam perturbações como o reflexo lunar, o brilho das auroras ou a sombra das nuvens, para isolar com precisão a assinatura das iluminações artificiais terrestres.

Este método, no entanto, tem suas limitações. Os sensores utilizados são pouco sensíveis à luz azul típica dos LEDs, que representam, porém, uma parte crescente da iluminação pública moderna. Assim, quando uma cidade instala LEDs brancos para substituir modelos antigos, com portanto um componente azul, um observador no solo percebe um ganho de brilho, enquanto o satélite pode registrar uma diminuição aparente. Esta divergência mostra o interesse de cruzar as fontes para uma compreensão completa do assunto.


Mapas mostrando a evolução da iluminação artificial noturna (ALAN) no mundo.
Dois tipos de mudanças são distinguidos: mudanças bruscas e mudanças progressivas, com a data da última mudança indicada pelas cores.
Exemplos detalhados ilustram as causas destas variações: urbanização, conflitos, agricultura, políticas públicas, queima de gás, apagões ou crises econômicas.
Os mapas globais são simplificados por zonas, enquanto os zooms oferecem um nível de detalhe mais fino.

O aumento do brilho noturno tem múltiplas repercussões. Afeta a saúde humana ao desregular os ciclos de sono e modifica os ritmos biológicos de muitas espécies. Para os astrônomos, este véu luminoso complica a observação do céu estrelado, forçando-os a buscar locais cada vez mais remotos.

Em contrapartida, a progressão da luz artificial também pode sinalizar avanços econômicos e sociais. Em regiões da África ou da Ásia onde o acesso à eletricidade era restrito, o aparecimento de novos pontos luminosos frequentemente corresponde a uma melhoria nas condições de vida.

O trabalho, publicado na revista Nature, propõe portanto uma visão da evolução de nossas noites. Ao misturar observações satelitais e análises regionais, permite acompanhar quase em tempo real o impacto de eventos maiores, de pandemias a guerras, até as economias energéticas voluntárias.
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