🚨 Suicídios por conservante alimentar explodem

Publicado por Adrien,
Fonte: BMJ Public Health
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O nitrito de sódio, um conservante alimentar comum, está cada vez mais envolvido em suicídios, especialmente entre os jovens.

Entre 2019 e 2024, as análises pós-morte revelam uma tendência de aumento preocupante, com uma concentração geográfica notável na Grande Londres e no sudeste da Inglaterra. Esta evolução levanta questões sobre o acesso a esta substância e a disseminação de informações perigosas online.


O nitrito de sódio é um composto químico comumente usado como conservante alimentar, especialmente em carnes processadas, onde ajuda a prevenir o crescimento bacteriano e a manter a cor e o sabor.
Imagem ilustrativa Unsplash

Entre esses casos, os homens são os mais afetados, representando quase dois terços dos casos registados. A idade média das vítimas é de 28 anos, com casos a partir dos 14 anos. Os investigadores do estudo, publicado na BMJ Public Health, analisaram 164 casos confirmados pelos legistas. Em 87% deles, os níveis de nitrito e nitrato no sangue eram cerca de 100 vezes superiores ao normal, indicando ingestão intencional massiva.

Os dados mostram um forte aumento dos casos após 2019, data em que os testes específicos para estes compostos se tornaram disponíveis. No entanto, os investigadores estimam que o número real de mortes esteja provavelmente subestimado, pois estas análises não são sistemáticas. A faixa etária mais afetada é a dos Millennials (38%) e da Geração Z (33%), o que mostra um perfil jovem nestes suicídios.

O acesso a informações online que detalham a obtenção e o uso do nitrito de sódio é apontado como culpado. Estes conteúdos, por vezes disfarçados de conselhos de saúde mental, facilitam o ato.

Medidas concretas são propostas, como a disponibilização de um antídoto (o azul de metileno) nas ambulâncias. A professora Amrita Ahluwalia, investigadora principal, insiste na urgência de restringir o acesso a este produto químico e de limitar a disseminação de conteúdos nocivos online.

A metahemoglobinemia: um mecanismo tóxico bem conhecido


A metahemoglobinemia é uma doença sanguínea onde a hemoglobina é transformada em metahemoglobina, uma forma incapaz de fixar oxigénio. Normalmente, o nosso sangue contém menos de 1% desta forma inativa, mas a exposição a agentes oxidantes como o nitrito de sódio pode fazer disparar este nível. Quando ultrapassa os 20%, a oxigenação dos tecidos torna-se crítica.

Os sintomas aparecem rapidamente: dores de cabeça, fadiga, náuseas, depois coloração azulada da pele (cianose). Acima de 50% de metahemoglobina, ocorrem arritmias cardíacas, convulsões e coma. Sem tratamento, a morte por asfixia celular pode ocorrer em poucas horas.

O antídoto é o azul de metileno (cloreto de metiltionínio), que reduz o ião férrico a ferroso, restaurando a função da hemoglobina. Administrado por via intravenosa, atua em uma hora. Os investigadores do estudo defendem que este tratamento esteja disponível nas ambulâncias, pois cada minuto conta após a ingestão.
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