🦠 Bactérias fabricam sob controle um 'plástico bio' tão resistente quanto metais

Publicado por Adrien,
Fonte: Nature Communications
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Em breve, os objetos de plástico poderão ser substituídos por materiais fabricados por bactérias, graças a uma técnica inédita.

Todos os anos, milhões de toneladas de resíduos plásticos poluem os oceanos, liberando substâncias nocivas como o bisfenol A. Uma equipe de pesquisadores desenvolveu um processo que transforma a celulose bacteriana em um material tão resistente quanto alguns metais, mas biodegradável. O elemento-chave? Um biorreator especial que guia as bactérias para produzir fibras perfeitamente alinhadas. Resultado: um material sólido, flexível, transparente e ecológico, oferecendo uma alternativa viável ao plástico em diversas áreas.


Uma abordagem inovadora para transformar celulose bacteriana em materiais sólidos e multifuncionais.
Crédito: Jorge Vidal/Rice University

No entanto, o plástico tradicional representa um grave problema ambiental devido à sua lenta decomposição e à liberação de microplásticos. Para resolver isso, os cientistas buscam alternativas naturais. A celulose bacteriana, produzida por alguns microrganismos, destaca-se por sua pureza e abundância. Contudo, até agora, sua baixa resistência mecânica limitava sua utilização.

O novo método desenvolvido pelos pesquisadores da Rice University e da University of Houston muda esse cenário ao permitir o controle da orientação das fibras durante o crescimento. Esta técnica, descrita na revista Nature Communications, utiliza um biorreator rotativo para alinhar as bactérias produtoras de celulose. As fibras assim obtidas são muito mais resistentes do que aquelas produzidas de forma aleatória.

Concretamente, o biorreator rotativo projetado pela equipe direciona o movimento das bactérias, forçando suas fibras de celulose a se alinharem em uma direção precisa. Esse controle da orientação melhora consideravelmente as propriedades mecânicas do material. De acordo com M.A.S.R. Saadi, primeiro autor do estudo, este método permite criar um material tão resistente quanto alguns metais, mantendo-se flexível, dobrável, transparente e ecológico. As propriedades térmicas também são melhoradas, dissipando o calor três vezes mais rápido que uma amostra de controle. Esse desempenho abre caminho para aplicações na gestão térmica.

Além disso, os pesquisadores destacam que sua abordagem é escalável e ocorre em uma única etapa, tornando-a adequada para produção industrial. Os campos potenciais incluem materiais estruturais, sistemas de gestão térmica, embalagens, têxteis, eletrônica verde e armazenamento de energia. Segundo Muhammad Maksud Rahman, essa tecnologia pode se tornar onipresente e substituir o plástico em muitas indústrias, contribuindo assim para reduzir a poluição.
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