🍷 A rolha de cortiça, reguladora de um vinho perfeito

Publicado por Adrien,
Fonte: Science Advances
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Numa garrafa de vinho, uma rolha de cortiça não é um isolante perfeito face ao oxigénio. Uma ínfima porção de ar infiltra-se na garrafa, mas essa pequena intrusão nem sempre é nefasta. Pelo contrário, este aporte controlado de oxigénio permite ao vinho envelhecer e desenvolver aromas mais refinados. Demasiado oxigénio estragá-lo-ia, demasiado pouco pararia a sua evolução. Os viticultores devem, portanto, atingir um equilíbrio delicado.

Para compreender os mecanismos precisos desta transferência, investigadores franceses desenvolveram uma experiência engenhosa. Em vez de utilizarem garrafas inteiras, conceberam tubos de vidro que reproduzem exatamente a forma e o ajuste de um gargalo. Estes tubos foram selados com rolhas de diferentes comprimentos, de 6 milímetros a 42 milímetros. Alguns tubos estavam vazios, outros preenchidos com um líquido ácido que imitava o vinho. Sensores luminescentes instalados no interior mediram os níveis de oxigénio durante 18 meses, sem nunca remover as rolhas.


Imagem de ilustração Pexels

Os resultados evidenciaram quatro mecanismos distintos, cada um operando em escalas de tempo diferentes. O primeiro é muito rápido: nas horas seguintes ao engarrafamento, o oxigénio distribui-se entre o vinho e o ar aprisionado no gargalo até atingir um equilíbrio. Este fenómeno inicial prepara o terreno para os processos seguintes.

Em seguida, ao longo de vários meses, a própria rolha atua como uma reserva de oxigénio. A cortiça contém micro-bolsas de ar que libertam progressivamente o oxigénio que contêm. Esta libertação termina ao fim de cerca de nove meses. Paralelamente, entre quatro e quinze meses, compostos naturais da madeira, os fenólicos, escapam da rolha e reagem com o oxigénio dissolvido no líquido, consumindo-o quimicamente e fazendo baixar o seu nível.

O último mecanismo é o mais lento, mas o mais duradouro. O oxigénio do exterior da garrafa infiltra-se através da rolha e dos interstícios microscópicos entre o vidro e a cortiça. Esta permeação torna-se o processo dominante a longo prazo, provocando um aumento gradual e contínuo do oxigénio na garrafa. Os investigadores identificaram assim uma cronologia precisa dos fluxos de oxigénio.


A transferência de oxigénio e a sua reatividade no vinho engarrafado são regidas por vários mecanismos que se sobrepõem em diferentes escalas de tempo. Esta ilustração mostra como a difusão do oxigénio a partir das células da cortiça, o consumo de oxigénio relacionado com os compostos fenólicos extraídos da cortiça, e a permeação a longo prazo através do sistema de fecho moldam a dinâmica do oxigénio no vinho engarrafado durante o envelhecimento.
Crédito: Julie Chanut e Thomas Karbowiak

Estas descobertas poderão ajudar os viticultores a escolher a rolha ideal em função do tipo de vinho e do seu tempo de envelhecimento desejado. Conhecendo precisamente quando e como o oxigénio penetra, torna-se possível ajustar o recipiente ao conteúdo. O equilíbrio entre proteção e maturação nunca terá sido tão bem dominado.
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