💊 Rumo a novos tratamentos para doenças autoimunes

Publicado por Adrien,
Fonte: Universidade Laval
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Um estudo publicado na revista PNAS demonstra que seria possível frear a progressão de certas doenças autoimunes com o uso de medicamentos que interfeririam com os anticorpos responsáveis por essas patologias. Em camundongos com uma doença neurológica autoimune, um medicamento desse tipo permitiu uma diminuição da severidade dos sintomas e uma recuperação de certas funções, entre outras a mobilidade.

"Esta prova de conceito abre caminho para uma nova gama de tratamentos para doenças autoimunes", avalia o responsável pelo estudo, Luc Vallières, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Laval e pesquisador no Centro de Pesquisa do CHU de Québec - Universidade Laval.


Os anticorpos sintéticos produzidos pela equipe do professor Luc Vallières ocupam os mesmos alvos que os autoanticorpos envolvidos nas doenças autoimunes. — Laboratório de Luc Vallières

Por razões que ainda não compreendemos muito bem, os anticorpos que produzimos para nos defender contra microorganismos ou outros corpos estranhos podem às vezes se voltar contra nós. "Esses autoanticorpos estão presentes na maioria das doenças autoimunes", precisa o professor Vallières.

Cada autoanticorpo tem um alvo anatômico específico ao qual se liga. Uma vez estabelecida essa ligação, o autoanticorpo mobiliza as células do sistema imunológico que atacam esse alvo, provocando a inflamação e a destruição do tecido em questão.

A abordagem desenvolvida pela equipe de Luc Vallières consiste em produzir anticorpos sintéticos que reconhecem os mesmos alvos que os autoanticorpos e que os ocupam. Uma mutação introduzida nesses anticorpos por manipulação genética impede que desencadeiem a resposta imunológica que leva a uma doença autoimune.

Os cientistas demonstraram a validade dessa abordagem usando camundongos que desenvolvem uma doença autoimune, chamada MOGAD. Recentemente identificada em humanos, essa doença assemelha-se à esclerose múltipla. Ela envolve autoanticorpos que têm como alvo a proteína MOG presente na mielina, a bainha protetora que envolve a parte alongada das células nervosas. A inflamação e a destruição da mielina que se segue levam, nomeadamente, ao aparecimento de distúrbios locomotores.

Este vídeo em francês ilustra como os anticorpos sintéticos conseguem frear as doenças autoimunes. — Laboratório de Luc Vallières

No entanto, o processo inflamatório toma outra trajetória quando os cientistas administram aos camundongos anticorpos sintéticos inativados que têm como alvo a proteína MOG. "Os sintomas da doença são então atenuados. Além disso, uma proporção maior de camundongos recupera suas capacidades funcionais", destaca o professor Vallières.

Segundo o pesquisador, esse conceito seria extrapolável para outras doenças autoimunes humanas que envolvem autoanticorpos. "Em cada caso, seria necessário encontrar o ou os autoanticorpos responsáveis e produzir anticorpos modificados que possam se ligar aos mesmos alvos. Nossos próximos objetivos são produzir anticorpos humanos modificados e, eventualmente, testá-los no âmbito de ensaios clínicos."

O artigo publicado na PNAS é assinado por 15 cientistas, incluindo 8 membros do Centro de Pesquisa do CHU de Québec - Universidade Laval. São eles: Reza Taghipour-Mirakmahaleh, Françoise Morin, Yu Zhang, Louis Bourhoven, Louis-Charles Béland, Juan Manuel Dominguez, Jacques Corbeil e Luc Vallières. Os outros signatários são Qun Zhou, Julie Jaworski e Anna Park, da companhia farmacêutica Sanofi em Boston, Eoin Flanagan, da Mayo Clinic de Rochester nos Estados Unidos, Romain Marignier, do Hôpital neurologique Pierre Wertheimer na França, Catherine Larochelle, da Universidade de Montreal, e Steven Kerfoot, da Universidade Western Ontario.
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