🧬 Um gene acelera o crescimento, mas encurta a vida

Publicado por Adrien,
Fonte: Nature Communications
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Uma descoberta impressionante: um gene que acelera o crescimento e a reprodução no início da vida, mas precipita o envelhecimento e o cancro mais tarde.

Investigadores da Universidade Hebraica de Jerusalém identificaram no killifish um gene chamado vgll3, que incorpora perfeitamente um compromisso evolutivo. Os peixes que possuem uma versão modificada crescem mais rapidamente e atingem a maturidade sexual mais cedo, uma vantagem certa para a reprodução. No entanto, esses mesmos indivíduos veem a sua duração de vida encurtada e desenvolvem mais tumores relacionados com a idade, nomeadamente melanomas.


Assim, segundo o professor Itamar Harel, a equipa "apanhou a evolução no meio de um compromisso". Porque é que os nossos corpos não se conseguem manter indefinidamente? Este gene fornece uma resposta direta: a natureza não privilegia a longevidade, mas sim a continuidade. Os mecanismos que constroem um corpo jovem podem também semear as sementes das doenças relacionadas com a idade.

Análises detalhadas mostraram que vgll3 influencia a divisão celular, a atividade das células estaminais e a reparação do ADN. Uma intensa atividade celular nos peixes jovens explica o seu desenvolvimento rápido, mas também acumula danos que mais tarde conduzem a tumores. "Este cancro não é um acidente, é a sombra direta da sua vitalidade juvenil", acrescenta Harel.

Além disso, este gene existe também nos humanos, ligado à puberdade e às hormonas. Até agora, o seu papel biológico preciso permanecia pouco claro. Esta descoberta pode ajudar a compreender o desenvolvimento humano, o envelhecimento e doenças como o cancro. O objetivo agora é encontrar uma forma de separar os benefícios precoces dos efeitos nocivos tardios.


O killifish é um modelo emergente para estudar a genética do envelhecimento e as patologias relacionadas com a idade, que frequentemente apresentam diferenças entre fêmeas (à esquerda) e machos (à direita).
Crédito: Itamar Harel

Com base nesta descoberta, os investigadores esperam que, ao desacoplar o crescimento saudável das doenças relacionadas com a idade, se possa um dia prolongar a duração de vida saudável. O seu estudo, publicado na Nature Communications, abre caminho para terapias que visam estes mecanismos antinómicos.

O killifish como modelo de estudo do envelhecimento


O peixe killifish turquesa africano é um modelo de eleição para a investigação sobre o envelhecimento devido à sua duração de vida natural muito curta, de apenas alguns meses. Isto permite aos cientistas observar rapidamente os efeitos de modificações genéticas na longevidade e nas doenças relacionadas com a idade.

Além disso, o seu genoma está completamente sequenciado, o que facilita a identificação de genes candidatos. Os investigadores podem usar ferramentas como CRISPR para modificar precisamente genes e observar as consequências no crescimento, reprodução e saúde.

Este modelo já permitiu muitas descobertas sobre os mecanismos do envelhecimento. O estudo do vgll3 é um exemplo impressionante, mostrando como um único gene pode influenciar tanto as vantagens jovens como os riscos tardios.
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