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⚕️ Uma explicação para a mentira patológica em adolescentes
Publicado por Adrien, Fonte: Universidade McGill Outras Línguas: FR, EN, DE, ES
Uma equipe de pesquisa descobriu que adolescentes que são mentirosos patológicos frequentemente lutam com déficits nas funções executivas, por exemplo, memória deficiente ou dificuldade no controle de impulsos.
Os profissionais poderiam, portanto, considerar o uso de tratamentos focados nas funções executivas (terapia cognitivo-comportamental, trabalho na reversão de hábitos) nesses pacientes, indica Victoria Talwar, professora do Departamento de Psicopedagogia e Psicologia do Aconselhamento da Universidade McGill. A professora Talwar liderou este estudo em colaboração com colegas de duas instituições do Texas.
Imagem de ilustração Pixabay
Interação entre funções executivas e mentira
A mentira patológica é uma tendência persistente e, muitas vezes, compulsiva à enganação.
Embora, em teoria, as funções executivas possam contribuir para a capacidade de enganar – pessoas com melhores funções executivas seriam, portanto, melhores mentirosas –, uma pessoa com disfunção executiva, como baixo autocontrole ou autorregulação deficiente, pode ter dificuldade em inibir a mentira, explica Victoria Talwar.
"A memória de trabalho, ou seja, a capacidade de reter informações na memória de curto prazo e acompanhar as consequências, participa do processo, de modo que pessoas com essa memória deficiente podem ter dificuldade em antecipar as consequências", ela indica. "Essa pode ser, em parte, a razão pela qual tendem a mentir."
Diferentes amostras, diferentes resultados
Estudos sobre mentira patológica em adultos mostraram que o problema frequentemente começa na adolescência. É por isso que a equipe quis examinar um segmento mais jovem da população.
Mais de 500 participantes, entre 10 e 18 anos, e seus pais, participaram do estudo. Havia uma ampla amostra geral de crianças e adolescentes, bem como uma amostra mais direcionada de crianças e adolescentes suspeitos por seus pais de serem mentirosos patológicos.
A equipe de pesquisa entrevistou os jovens participantes sobre suas mentiras, avaliou suas funções executivas e realizou testes para detectar possíveis psicopatologias. Os pais, por sua vez, foram convidados a estimar quantas vezes seu filho havia mentido nas últimas 24 horas.
A equipe identificou manifestações de mentira patológica em 63 dos jovens participantes e também observou uma ligação entre a mentira e a presença de déficits nas funções executivas.
"Os mentirosos patológicos relataram ter proferido, em média, 9,6 mentiras por dia", observa Victoria Talwar. "Na amostra de mentirosos patológicos, os escores das funções executivas eram notavelmente elevados, o que indica uma disfunção executiva. Mais especificamente, constatamos nessas pessoas deficiências clinicamente importantes em atenção, memória de trabalho, nível de atividade e controle de impulsos."
A professora acrescenta que o perfil da mentira patológica se distingue de outras psicopatologias, em particular transtornos de conduta e traços de personalidade antissocial, de modo que os mentirosos patológicos não apresentam necessariamente essas outras psicopatologias.
A verdade sobre a mentira
Como uma equipe de pesquisa que estuda a mentira pode saber se os participantes estão dizendo a verdade sobre suas mentiras?
"Estudos demonstraram que há uma correlação entre as declarações de mentira ou trapaça e os comportamentos reais de mentira ou trapaça", indica Victoria Talwar. "Vários estudos realizados nos últimos dez anos mostram que, na população em geral, a maioria das pessoas é relativamente honesta e mente apenas ocasionalmente, enquanto uma pequena proporção mente frequentemente – um comportamento associado a outras dificuldades ou problemas de saúde mental."
Próximos passos
A professora Talwar esclarece que este estudo não indica a prevalência da mentira patológica em adolescentes, uma vez que a equipe deliberadamente buscou adolescentes que mentiam frequentemente e, portanto, não trabalhou com uma amostra representativa da população.
Agora seria necessário realizar um estudo em larga escala para examinar a prevalência da mentira patológica na população geral de crianças e adolescentes, ela indica.
Ela acrescenta que outras pesquisas focadas em uma melhor compreensão dos comportamentos mentirosos em crianças e adolescentes poderiam levar a intervenções precoces.
O estudo
O artigo "Executive Functioning and Pathological Lying in Adolescence: Examining Prevalence and Etiology", de Drew A. Curtis, Christian L. Hart e Victoria Talwar, foi publicado no Journal of Psychopathology and Behavioral Assessment.