💧 Água líquida fluiu neste asteroide

Publicado por Adrien,
Fonte: Science
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Um asteroide carrega vestígios de uma antiga presença de água líquida, mas orbita na parte interna do cinturão de asteroides, onde é quente demais para o gelo sobreviver. Esta descoberta, realizada pela sonda NASA Lucy durante seu sobrevoo do asteroide Donaldjohanson em abril de 2025, coloca em questão nossas ideias sobre a formação e o deslocamento desses pequenos corpos celestes.

Donaldjohanson, apelidado de DJ pela equipe da missão, é um asteroide de formato estranho com dois lobos ligados por um pescoço mais estreito. Trata-se na verdade de um fragmento de um asteroide muito maior que se partiu há 155 milhões de anos durante uma colisão titânica. Este vestígio pertence à família Erigone, em homenagem ao asteroide principal que resultou dela.


Representação do asteroide Donaldjohanson.
Crédito: NASA/Goddard/SwRI/Johns Hopkins APL

A análise espectral de DJ revelou a presença de filossilicatos ferrosos, minerais que se formam apenas na presença de água líquida. De acordo com Simone Marchi, planetóloga do Southwest Research Institute, esses filossilicatos indicam que água esteve presente e causou uma alteração aquosa, mas esta parou prematuramente. Várias hipóteses explicam essa interrupção: falta de calor interno devido a uma formação tardia, ou simplesmente menos água disponível no local onde o asteroide se formou.

A presença desses minerais hidratados é uma pista valiosa para compreender a história do Sistema Solar. Os asteroides primitivos como DJ são verdadeiros fósseis, testemunhas dos materiais que formaram os planetas. Saber onde eles se formaram e como migraram pode nos informar sobre a origem da água e dos compostos orgânicos na Terra, elementos essenciais para o surgimento da vida.

A forma de dois lobos de Donaldjohanson é compartilhada por muitos pequenos corpos do Sistema Solar, seja de asteroides como Itokawa, Toutatis ou Selam, ou de cometas como 67P Churyumov-Gerasimenko. No entanto, os mecanismos de formação dessa forma podem diferir: para os cometas, a erosão por sublimação dos gases escava o pescoço entre os lobos, enquanto para os asteroides, pode tratar-se de fragmentos que se remontaram sob efeito da gravidade, formando o que se chama de binário de contato.

Após este sobrevoo bem-sucedido, Lucy continua sua rota em direção aos asteroides troianos de Júpiter, que deve alcançar em 2027. Os troianos são ainda mais primitivos que DJ e contêm mais carbono, água e voláteis. Apenas um deles, Eurybates, apresenta uma composição próxima à de DJ. Comparar esses dois objetos ajudará a entender como os planetas gigantes migraram e dispersaram os asteroides no Sistema Solar primitivo.


Detalhe da superfície de Donaldjohanson visto pelo instrumento L'LORRI da Lucy.
Crédito: NASA/GSFC/SwRI/JHU-APL

A grande questão que permanece é a do número de asteroides similares a DJ que foram projetados para o interior do Sistema Solar, tornando-se potencialmente fontes de água e matéria orgânica para a Terra primitiva. Lucy, ao explorar os troianos, espera trazer respostas sobre essas migrações antigas e sobre como nosso planeta adquiriu seus ingredientes indispensáveis para a vida.
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