🪐 Anãs vermelhas com chocolate ao redor da boca: elas devoram seus planetas

Publicado por Adrien,
Fonte: Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
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Gaia-ESO Spectroscopic (GES) survey evidenciou uma observação desconcertante: anãs vermelhas, essas pequenas estrelas frias, contêm lítio em sua atmosfera. Esses astros deveriam ser desprovidos dele. A única explicação plausível é que elas engoliram seus próprios planetas, enriquecendo assim seu envelope gasoso com esse elemento.

As anãs vermelhas, embora menos massivas que o nosso Sol, possuem interiores extremamente quentes e turbulentos. Esse meio ardente queima rapidamente o lítio que elas poderiam conter ao nascer. Assim, detectar esse elemento em sua atmosfera é uma prova indireta de um banquete planetário. Os astrônomos há muito tempo buscavam essa assinatura, que confirma que essas estrelas podem devorar seus planetas.


Crédito: ESA

Neste estudo, a equipe de Robin Jeffries, da Universidade de Keele, analisou dados do levantamento GES. Eles identificaram seis anãs vermelhas em três aglomerados estelares diferentes, exibindo níveis de lítio muito superiores ao esperado. Essas estrelas provavelmente absorveram o equivalente de três a dez massas terrestres de matéria planetária. Esse processo trouxe lítio fresco para suas camadas externas, onde normalmente está ausente.

As anãs vermelhas são as estrelas mais comuns da Via Láctea, representando cerca de 75% de sua população estelar. Esse fenômeno pode ser muito comum em nossa galáxia. Esta descoberta abre uma nova janela para a evolução dos sistemas planetários, especialmente em suas primeiras fases caóticas.

Os cientistas desejam agora compreender em quais estágios de suas vidas essas estrelas são mais propensas a devorar seus planetas. Ao estudar outros aglomerados de idades variadas, eles poderão rastrear o calendário dessas absorções. Isso permitirá compreender melhor a formação e a sobrevivência dos planetas ao redor de anãs vermelhas, astros considerados potenciais anfitriões para a vida.

Esses resultados foram publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Eles confirmam uma hipótese há muito acalentada pelos astrônomos: as pequenas estrelas podem ser devoradoras de planetas. O próximo passo será observar mais anãs vermelhas para generalizar essa constatação e refinar os modelos de evolução planetária.

O lítio, um indício químico precioso


O lítio é um elemento leve, produzido principalmente durante o Big Bang e pelos raios cósmicos. Nas estrelas, ele é transformado por fusão nuclear a temperaturas relativamente modestas. As anãs vermelhas, com seus interiores muito quentes, queimam todo o lítio que possuem em algumas centenas de milhões de anos. Sua presença na atmosfera é, portanto, anormal e sinaliza uma contribuição externa recente.

Essa contribuição pode vir de planetas ou fragmentos rochosos que caem na estrela. De fato, os planetas preservam seu lítio desde sua formação, pois não sofrem reações nucleares. Assim, detectar lítio em uma anã vermelha equivale a encontrar a prova de uma refeição planetária.

As anãs vermelhas, estrelas da nossa galáxia


As anãs vermelhas são as estrelas mais comuns da Via Láctea, representando cerca de 75% dos astros. Sua baixa massa (de 8% a 60% da massa do Sol) lhes confere uma longevidade excepcional: podem brilhar por milhares de bilhões de anos. Seu pequeno tamanho, no entanto, as torna difíceis de observar diretamente.

Essas estrelas são frequentemente cercadas por sistemas planetários, como mostrou a descoberta de Proxima b. Sua abundância as torna alvos privilegiados para a busca de exoplanetas habitáveis. Compreender seu comportamento é, portanto, essencial para estimar a sobrevivência dos planetas ao seu redor. Se a absorção for frequente, as chances de encontrar mundos intactos diminuem.
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