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🧊 A aplicação de gelo pode retardar a cicatrização e prolongar a dor
Publicado por Adrien, Fonte: Universidade McGill Outras Línguas: FR, EN, DE, ES
De acordo com um estudo recente, a aplicação de gelo em um tornozelo torcido ou músculo dolorido, prática comumente usada para reduzir a dor e o inchaço, pode retardar a cicatrização e prolongar a dor.
Em um estudo pré-clínico publicado na revista Anesthesiology, uma equipe de pesquisa da Universidade McGill relata que, mesmo quando aliviava a dor em curto prazo, a crioterapia (aplicação de gelo) poderia duplicar o tempo de recuperação, ou até mais.
Imagem de ilustração Pixabay
"Esses resultados destacam um paradoxo: os tratamentos que reduzem a inflamação e aliviam a dor em curto prazo podem, em alguns casos, dificultar os processos biológicos necessários para uma recuperação completa", afirma Lucas Lima, autor principal e associado de pesquisa no Centro Alan-Edwards de Pesquisa sobre a Dor.
"Esses resultados se somam a um número crescente de estudos que questionam os benefícios a longo prazo de estratégias anti-inflamatórias comuns", continua ele. Estudos anteriores mostraram que alguns medicamentos, como o ácido acetilsalicílico (Aspirina), também poderiam prolongar a dor, e pesquisas em animais indicaram que a aplicação de gelo poderia retardar o reparo dos tecidos.
Este novo estudo indica pela primeira vez, com evidências de apoio, que a aplicação de gelo também pode influenciar a duração da dor, com base em experimentos que reproduziram lesões inflamatórias e relacionadas ao esforço físico realizados em camundongos.
O gelo é comumente usado no protocolo GREC (Gelo, Repouso, Elevação, Compressão), uma abordagem padrão para o tratamento de lesões. Essa técnica é amplamente utilizada para tratar lesões, especialmente por atletas e profissionais de saúde, mas, segundo a equipe de pesquisa, os dados que comprovam seus benefícios a longo prazo são limitados.
"Nossos resultados indicam que seria melhor avaliar em quais casos as estratégias anti-inflamatórias são úteis e em quais não são", explica o autor principal, Jeffrey Mogil, professor distinto James-McGill e titular da Cátedra E.-P.-Taylor de estudos sobre a dor.
Ele ressalta que esses resultados ainda não são diretamente transponíveis para os seres humanos. Atualmente, está sendo realizado um ensaio clínico para determinar se o mesmo efeito é observado em pacientes em recuperação após certas intervenções, como a extração de dentes do siso.