Uma árvore curvada pode fabricar madeira do lado oposto para recuperar gradualmente uma forma reta.
Pesquisadores observaram esse mecanismo em jovens álamos. Colocadas na horizontal, as árvores começaram a curvar o caule para cima. A planta reage principalmente à gravidade para reorientar seu crescimento. O álamo produz então uma madeira particular na face superior do caule. Chamada madeira de tensão, ela exerce uma força ao se contrair. Essa tração atua sobre a forma do caule e faz com que ele se eleve gradualmente.

Esquema de um jovem álamo formando madeira de tensão, com imagens ao microscópio das paredes celulares da madeira de tensão e da madeira oposta.
Crédito: Normand et al., Scientific Reports, CC BY 4.0.
Após cerca de dez dias, os álamos foram instalados em um dispositivo rotativo. Ele confundia a direção da gravidade. Uma luz vinda de todas as direções também eliminava qualquer referência luminosa.
Restava então à árvore apenas uma informação: a forma curvada de seu próprio caule. Essa capacidade de perceber a posição ou a forma do próprio corpo é chamada propriocepção. Trabalhos anteriores já haviam estabelecido que as plantas possuem essa faculdade.
Os álamos começaram então a se endireitar. A madeira de tensão que antes se formava na face superior deixou de aparecer. Os pesquisadores encontraram o mesmo tipo de madeira na face oposta. A força exercida, portanto, mudava de lado.

O dispositivo experimental
Concretamente, a madeira de tensão pode produzir dois movimentos opostos, dependendo do local onde a árvore a fabrica. Primeiro, a árvore pode curvar o caule para recuperar a verticalidade e, em seguida, desencadear uma força oposta para evitar ultrapassar essa posição.
Esse funcionamento ajuda a compreender como uma árvore controla sua postura apesar do vento, de uma encosta ou de uma deformação. Ela combina várias informações, incluindo a gravidade, a luz e sua própria curvatura. Uma coordenação inadequada também pode criar tensões internas e modificar a qualidade da madeira.
Os pesquisadores agora querem aproveitar esse conhecimento para estudar melhor a forma das árvores e a qualidade da madeira. Esse mecanismo também pode interessar à seleção de plantas cultivadas capazes de permanecer eretas quando seus caules correm o risco de tombar no chão.