🌍 As pequenas perturbações das florestas tropicais têm um peso enorme no clima

Publicado por Adrien,
Fonte: CEA
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Um estudo publicado na Nature revela que as pequenas áreas de desflorestação, muitas vezes inferiores a 2 hectares, nas florestas tropicais húmidas são responsáveis por mais de metade das perdas de carbono ao longo dos últimos 30 anos.

A África e o Sudeste Asiático são particularmente vulneráveis. Liderada por uma equipa internacional dirigida pelo Laboratoire des sciences du climat et de l'environnement (CEA/CNRS/UVSQ), esta investigação realça o impacto desproporcionado das pequenas actividades humanas na perda de carbono florestal, sublinhando a necessidade de protecção e de políticas de combate à desflorestação em todos os níveis para proteger estes ecossistemas vitais.


Imagem Wikimedia

As florestas tropicais têm stocks de carbono muito elevados na biomassa e desempenham um papel essencial para combater as alterações climáticas. Elas armazenam quase metade do carbono florestal terrestre, mas estão gravemente ameaçadas pelas actividades humanas.

Um estudo recente conduzido por uma equipa de investigadores internacionais e que integra dados de satélite de alta resolução, mostra que as pequenas perturbações (menos de 2 hectares, o equivalente a 2 campos de futebol) representam apenas 5 % das zonas desflorestadas, mas estão na origem de 56 % das perdas líquidas de carbono. Estas perdas devem-se principalmente à conversão persistente das florestas em culturas, pastagens, estradas ou zonas urbanas.

"O nosso estudo revela que as pequenas perturbações das florestas, e não apenas as grandes desflorestações ou os incêndios que se veem tipicamente na Amazónia, estão na origem da maioria das perdas de carbono tropicais. Proteger as florestas jovens em regeneração é tão essencial como prevenir a desflorestação" explica Yidi Xu, investigadora de pós-doutoramento no LSCE e primeira autora do estudo.

Os resultados realçam três prioridades para proteger o clima:
- Reduzir a expansão agrícola e a degradação das florestas, nomeadamente em África e no Sudeste Asiático, onde estas perturbações representam mais de 97 % das perdas líquidas de carbono.
- Proteger as florestas jovens em regeneração, que desempenham um papel chave na absorção de CO₂ e na mitigação das alterações climáticas.
- Reforçar a vigilância das zonas florestais mais vulneráveis, onde as florestas ricas em carbono estão cada vez mais expostas.

"O nosso método pode ajudar os países a acompanhar melhor as suas emissões e a reforçar os programas de conservação. Ao identificar onde o carbono é perdido e onde as florestas voltam a crescer, fornecemos uma ferramenta poderosa para proteger um dos principais reguladores climáticos do planeta", explica Philippe Ciais, director de investigação no CEA e co-autor do estudo.

O estudo utiliza um método de contabilidade do carbono da biomassa espacialmente explícito com uma resolução de 30 metros, combinando dados de satélite e curvas de recuperação da biomassa. Ao contrário dos modelos anteriores que assentavam em hipóteses simplificadas ou em médias continentais, esta abordagem permite compreender melhor a amplitude dos diferentes tipos de perturbações (incêndios, degradação, regeneração) no balanço de carbono das florestas tropicais, graças aos novos mapas de alta resolução da biomassa fornecidos pela Agência Espacial Europeia.

Alguns números-chave:
- 15,6 ± 3,7 mil milhões de toneladas de carbono perdidos nas florestas tropicais húmidas desde 1990, enquanto as florestas tropicais secas permaneceram globalmente neutras em carbono.
- As pequenas clareiras (menos de 2 ha) representam apenas 5 % da superfície florestal perturbada, mas são responsáveis por 56 % das perdas líquidas de carbono.
- As perdas de carbono devidas a incêndios em muitas regiões de floresta tropical seca são em parte compensadas por uma regeneração a longo prazo após os incêndios, ao contrário dos efeitos persistentes da desflorestação em pequena escala e da degradação não relacionada com incêndios.

Estes trabalhos foram realizados no âmbito da iniciativa científica One Forest Vision financiada pelo Ministère français de l'Enseignement supérieur et de la Recherche e pelo Ministère de l'Europe et des Affaires étrangères.
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