🩺 Câncer: uma só chave para duas fechaduras

Publicado por Adrien,
Fonte: Nature Communications
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Pesquisadores acabam de revelar que uma proteína chamada MCL1, já conhecida por ajudar as células cancerígenas a evitar a morte, também orquestra a gestão de sua energia. Essa dupla função abre novas perspectivas para compreender como os tumores se desenvolvem e resistem às terapias.

Até agora, a proteína MCL1 era estudada principalmente por sua capacidade de proteger as células tumorais da apoptose, um mecanismo natural de autodestruição. Presente em grande quantidade em muitos cânceres, ela fazia parte da família das proteínas Bcl-2. Sua função parecia limitada a esse único aspecto da sobrevivência celular, o que a tornava um alvo interessante para terapias que visam eliminar as células doentes de maneira mais eficaz.


Imagem ilustrativa Unsplash

A equipe de Dresden, no entanto, revelou um aspecto inédito da MCL1. Na realidade, essa proteína interage diretamente com a mTOR, um regulador essencial do metabolismo celular. Ao influenciar a mTOR, a MCL1 ajuda as células cancerígenas a adaptar sua produção e seu consumo de energia de acordo com suas necessidades. Essa dupla função torna a MCL1 uma peça-chave em dois processos fundamentais do câncer, conectando assim mecanismos que até então eram considerados separados.

Essa descoberta tem implicações práticas imediatas. Os inibidores de MCL1, atualmente testados em ensaios clínicos, mostraram-se capazes de bloquear também a sinalização da mTOR. Consequentemente, um único tratamento poderia visar simultaneamente a sobrevivência e o metabolismo dos tumores. Além disso, essa abordagem poderia melhorar a eficácia das terapias existentes, uma vez que os inibidores de mTOR já são usados contra alguns tipos de câncer.

Um obstáculo importante, no entanto, havia dificultado o desenvolvimento dos inibidores de MCL1: sua toxicidade cardíaca. Vários ensaios clínicos tiveram que ser interrompidos devido a sérios efeitos colaterais no coração. A equipe de pesquisa identificou pela primeira vez o mecanismo molecular por trás desse problema. Com base nisso, eles desenvolveram uma abordagem dietética simples que permite reduzir significativamente a cardiotoxicidade, conforme confirmado por testes em um modelo murino humanizado.

Esses avanços são fruto de uma colaboração internacional envolvendo institutos da República Tcheca, Áustria e Itália. O Dr. Mohamed Elgendy, responsável pelo estudo, indica que a MCL1 é muito mais do que um simples fator de sobrevivência; ela atua ativamente nas vias de sinalização relacionadas ao crescimento e ao metabolismo. Esse trabalho demonstra o interesse da pesquisa fundamental para conceber tratamentos mais seguros e eficazes.

As perspectivas clínicas parecem, portanto, encorajadoras. Ao resolver o problema da toxicidade cardíca, esse estudo poderia permitir retomar o desenvolvimento dos inibidores de MCL1. Isso abriria caminho para novas combinações terapêuticas que visam simultaneamente várias vulnerabilidades das células cancerígenas, o que representa um caminho promissor para pacientes com cânceres resistentes.
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