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⚕️ Cannabis medicinal: entre mitos e realidades científicas
Publicado por Adrien, Fonte:JAMA Outras Línguas: FR, EN, DE, ES
À medida que o cannabis medicinal ganha popularidade por suas supostas virtudes, uma extensa síntese liderada por especialistas da UCLA Health questiona sua eficácia real. Esta análise, publicada no jornal JAMA, revela uma lacuna significativa entre seu uso disseminado e os dados científicos disponíveis.
Esta revisão da literatura examinou mais de 2.500 trabalhos de pesquisa publicados ao longo de um período de quinze anos. Os pesquisadores concentraram-se particularmente em mais de 120 estudos notáveis pela sua amplitude, atualidade e diversidade temática. A sua principal conclusão destaca a popularidade crescente do cannabis e dos canabinoides, como o CBD, enquanto uma pesquisa de 2018 já mostrava que cerca de 27% dos habitantes dos Estados Unidos e do Canadá o utilizavam para problemas de saúde.
Imagem ilustrativa Unsplash
O doutor Michael Hsu, da UCLA Health, principal autor da revisão, observa que muitas pessoas atribuem ao cannabis benefícios médicos amplos, enquanto as pesquisas mais recentes não confirmam essas expectativas. Segundo ele, existe uma lacuna notável entre as crenças do público e os resultados científicos, o que torna essencial um acompanhamento claro pelos profissionais de saúde para decisões médicas informadas.
Os benefícios clinicamente estabelecidos limitam-se a um pequeno número de patologias específicas. Trata-se nomeadamente de produtos à base de canabinoides de qualidade farmacêutica aprovados pelas autoridades de saúde norte-americanas, utilizados para estimular o apetite em pacientes com VIH/sida, combater náuseas induzidas pela quimioterapia e tratar certas formas graves de epilepsia infantil.
Para os outros usos, como o tratamento da dor crónica, os dados continuam insuficientes ou pouco claros. As recomendações clínicas atuais desaconselham, aliás, os medicamentos à base de cannabis em primeira linha contra a dor persistente, apesar do seu uso frequente por mais de metade dos consumidores com finalidade terapêutica.
Além disso, a revisão aponta riscos potenciais para a saúde, particularmente em adolescentes. O uso de cannabis com alto teor de THC parece estar ligado a um aumento de sintomas psicóticos e de transtornos de ansiedade generalizada. Adicionalmente, apenas 29% dos consumidores com uso medicinal preenchem os critérios para um transtorno relacionado ao uso do cannabis.
Por outro lado, o consumo diário, sobretudo sob forma inalada ou com produtos concentrados, poderá estar associado a um aumento de riscos cardiovasculares. Estes incluem taxas mais elevadas de doenças coronárias, enfartes do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais em comparação com um uso não diário.
Como funcionam os canabinoides no organismo
Os canabinoides são compostos químicos presentes no cannabis que interagem com o sistema endocanabinoide do nosso corpo. Este sistema, presente em todos os mamíferos, desempenha um papel na regulação de várias funções como a dor, o humor, o apetite ou a memória.
É constituído por recetores, principalmente os CB1 e CB2, localizados no cérebro, no sistema nervoso e noutros tecidos. Os canabinoides do cannabis, como o THC e o CBD, ligam-se a estes recetores e modulam a sua atividade, o que pode produzir efeitos terapêuticos ou indesejados.
O THC, por exemplo, tem uma forte afinidade pelos recetores CB1, o que explica as suas propriedades psicoativas e o seu potencial analgésico. O CBD, por outro lado, atua de forma diferente, com pouco efeito psicoativo, e poderia influenciar outras vias de sinalização.
Esta interação explica por que razão os efeitos do cannabis podem diferir consideravelmente de pessoa para pessoa e por que é difícil estabelecer recomendações universais. Os produtos farmacêuticos aprovados tentam padronizar estes compostos para um uso médico preciso.