🕒 Células implantadas contra o jet lag

Nosso corpo funciona segundo um ciclo próximo de 24 horas. O sono, o apetite, a temperatura corporal e muitos hormônios seguem esse relógio interno. Uma viagem que atravessa vários fusos horários desloca subitamente a luz externa em relação a esse ritmo. O corpo então leva algum tempo para se reajustar, o que provoca o jet lag, ou diferença de fuso horário.

Pesquisadores da Rice University e da Northwestern University testaram uma maneira de agir sobre esse relógio. A estratégia baseia-se na leptina, um hormônio conhecido sobretudo por seu papel na regulação do apetite e do metabolismo. Trabalhos anteriores já indicavam que ela também poderia atuar nos ritmos diários do organismo.

Andrea Piacquadio · Pexels

Andrea Piacquadio · Pexels

Para liberar esse hormônio, a equipe modificou células humanas para que produzissem leptina continuamente. Essas células foram então encerradas em pequenas cápsulas protetoras e implantadas em animais. A encapsulação permite que as moléculas produzidas saiam, ao mesmo tempo que isola as células do sistema imunológico do hospedeiro.

Os pesquisadores então alteraram os períodos de luz e escuridão para reproduzir uma perturbação comparável a uma mudança de fuso horário. Entre os roedores, os animais que receberam leptina se adaptaram mais rapidamente ao novo horário. A equipe depois observou um efeito semelhante em primatas não humanos.

O resultado é interessante porque relaciona diretamente o metabolismo ao relógio biológico. Em outras palavras, o ajuste do nosso ritmo diário não depende apenas da luz recebida pelos olhos. Sinais químicos que circulam pelo organismo também podem modificar a velocidade com que esse ritmo se reajusta.

Agora, os pesquisadores querem compreender melhor como esse hormônio atua nos mecanismos que regulam o relógio interno. Eles também estudam versões capazes de controlar a quantidade produzida ou de repetir a ação quando necessário.

Esses trabalhos deverão preceder qualquer experimento em seres humanos.