💥 Colisões de buracos negros em cadeia

Publicado por Adrien,
Fonte: Nature Astronomy
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Os buracos negros mais massivos do Universo podem nascer no caos. Ao examinar as ondulações do espaço-tempo, os cientistas distinguiram duas categorias de buracos negros. Os mais leves proviriam do colapso de estrelas massivas, enquanto os mais pesados seriam o resultado de colisões em cadeia de buracos negros em aglomerados de estrelas muito densos, um processo muito mais violento e intenso do que se imaginava até hoje.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores utilizaram dados dos detectores de ondas gravitacionais LIGO, Virgo e KAGRA. Esses instrumentos captam as ínfimas vibrações do espaço-tempo provocadas por eventos cataclísmicos, como a fusão de buracos negros.


Representação artística de dois buracos negros orbitando um ao outro antes de se fundirem.
Crédito: NASA

Ao analisar 153 fusões, a equipe da Universidade de Cardiff conseguiu traçar a evolução desses objetos. O responsável pelo estudo, Fabio Antonini, ressalta que a astronomia gravitacional não se limita mais a contar fusões: ela começa a revelar como e onde os buracos negros crescem.

Esses resultados revelam uma separação nítida entre os buracos negros de baixa massa e os de alta massa. Os primeiros giram lentamente sobre si mesmos, um sinal típico de um nascimento por colapso estelar. Os segundos, por outro lado, possuem rotações rápidas e orientadas aleatoriamente. Essa assinatura corresponde exatamente ao que se espera se buracos negros se fundirem repetidamente em um aglomerado denso.

Além disso, o estudo também confirma a existência de uma "lacuna de massa" teórica em torno de 45 massas solares. Acima desse limiar, as estrelas mais massivas não produziriam um buraco negro quando morressem. Elas seriam totalmente destruídas por uma supernova antes que um buraco negro pudesse se formar. Os buracos negros que ultrapassam essa massa não podem, portanto, provir de uma estrela isolada. Sua origem seria forçosamente o resultado de fusões hierárquicas, como as observadas em aglomerados globulares.

As próximas observações dos detectores gravitacionais devem refinar esse quadro. Ao acompanhar cada vez mais fusões, os astrônomos esperam compreender melhor o destino das estrelas mais massivas e o papel dos aglomerados globulares na fabricação dos buracos negros gigantes.
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