👽 Como reconhecer vida extraterrestre pela química?

Publicado por Adrien,
Fonte: PNAS Nexus
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Como reconhecer vida extraterrestre se a química do espaço produz os mesmos blocos de construção da biologia? Esta questão fundamental ganha relevância desde a análise das amostras do asteroide Bennu. Os cientistas descobriram um tesouro de moléculas orgânicas, incluindo aminoácidos e nucleobases, sem que qualquer prova de uma forma de vida passada estivesse associada.

Estas amostras, trazidas pela missão OSIRIS-REx, apresentavam uma particularidade notável: os aminoácidos estavam em proporções quase iguais entre as suas formas espelhadas, ditas "esquerdas" e "direitas". Na Terra, por outro lado, a vida usa quase exclusivamente a versão esquerda. Consequentemente, a ausência de preferência marcada em Bennu sugere que essa assimetria molecular própria da nossa biologia provavelmente se estabeleceu posteriormente, durante processos específicos do nosso planeta.


Diante dessa situação, uma equipe de pesquisadores propõe uma nova abordagem chamada LifeTracer, descrita na revista PNAS Nexus. Em vez de mirar uma molécula única, esse método estuda o conjunto dos padrões químicos presentes em uma amostra. A hipótese inicial baseia-se no fato de que a vida monta moléculas com um propósito específico, como armazenar energia ou transmitir informação, enquanto os processos geoquímicos não vivos obedecem a lógicas distintas.

Para desenvolver o LifeTracer, os cientistas compararam materiais de origem biológica, como solos terrestres, com amostras abióticas vindas de meteoritos ricos em carbono. Cada amostra, contendo dezenas de milhares de moléculas orgânicas, foi analisada fragmentando os compostos para examinar suas propriedades. Um modelo de aprendizado de máquina aprendeu, então, a separar os dois grupos com base na distribuição global das impressões digitais químicas.

Essa abordagem permitiu identificar tendências gerais. As amostras de meteoritos, por exemplo, continham mais compostos voláteis, o que reflete os ambientes frios do espaço. Um composto contendo enxofre, o 1,2,4-tritiolano, destacou-se como um marcador robusto das amostras não biológicas. Assim, o modelo não se baseia em um único indício, mas na forma como toda uma coleção de moléculas está estruturada.

O LifeTracer constitui, portanto, uma ferramenta interessante para as futuras missões espaciais. Quando sondas trouxerem amostras de Marte, de suas luas ou dos oceanos de Europa e Encélado, as misturas orgânicas provavelmente virão de fontes múltiplas. Este método permitirá estimar se a paisagem química global se assemelha mais à biologia ou à geoquímica acidental, complementando assim as técnicas já empregadas.
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