Pesquisadores acabam de descobrir uma rota para a Lua que consome significativamente menos combustÃvel do que todas as trajetórias anteriormente conhecidas. Esta trajetória inédita, calculada com o auxÃlio de simulações informáticas avançadas, promete reduzir consideravelmente o custo das missões lunares. A equipa internacional examinou milhões de caminhos potenciais antes de encontrar esta solução tão simples quanto eficaz.
A Terra se põe no limbo curvo da Lua em 6 de abril de 2026, foto tirada pelos astronautas da Artemis 2 durante a sua viagem ao redor da face oculta. Crédito: NASA
O truque reside na utilização otimizada da gravidade. Com efeito, as naves espaciais usam os seus motores apenas intermitentemente; o resto do tempo, deixam-se guiar pela atração dos corpos celestes. Os pesquisadores descobriram que, ao tomar um ramo distante de uma "famÃlia" orbital – um termo que designa uma trajetória natural – em vez daquele mais próximo da Terra, aproveita-se mais da propulsão gratuita oferecida pela gravidade.
Esta abordagem, baseada na teoria das conexões funcionais, permitiu simular 30 milhões de rotas diferentes para chegar a um ganho de 58,80 metros por segundo a menos no consumo de combustÃvel em comparação com a trajetória mais económica conhecida até agora. Tal ganho pode traduzir-se em economias importantes, pois cada quilo de combustÃvel economizado alivia a carga a ser lançada.
Outra vantagem não negligenciável deste itinerário é que ele mantém uma comunicação constante com a Terra. Inversamente, a missão Artemis 2 sofreu perdas de contato ao passar atrás da Lua. Vitor Martins de Oliveira, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de São Paulo, explica que a órbita proposta evita este problema.
Uma trajetória economizando combustÃvel entre as órbitas da Terra e da Lua. Crédito: Allan Kardec de Almeida Júnior et al. / Astrodynamics
No entanto, esta rota não é necessariamente a melhor possÃvel. Os modelos atuais consideraram apenas a gravidade da Terra e da Lua. Ao integrar outros fatores como a atração solar, trajetórias ainda mais eficientes poderiam surgir, conforme indica o pesquisador Allan Kardec de Almeida Júnior.
O estudo, publicado na revista
Astrodynamics , abre caminho para um planeamento mais sistemático das missões espaciais. O método empregue poderia ser generalizado para explorar outros destinos do Sistema Solar, permitindo otimizar as viagens interplanetárias com recursos limitados.