A maioria dos robĂ´s se inspira em humanos, cĂŁes ou insetos. Mas uma equipe da Universidade Duke acaba de mostrar que a forma mais eficiente pode nĂŁo se parecer com nada conhecido.
Sua máquina, chamada Argus, possui 20 pernas telescĂłpicas dispostas ao redor de um corpo central. Essa arquitetura atĂpica permite que ela se mova em todas as direções sem girar, escale paredes e suporte cargas pesadas. Uma abordagem que desafia dĂ©cadas de robĂłtica biomimĂ©tica.
O robô Argus em ação, mostrando sua estrutura em forma de dodecaedro com 20 pernas. Crédito: Duke University
Argus nĂŁo tem nem frente nem trás. Suas 20 pernas, cada uma equipada com uma câmera de profundidade em sua extremidade, irradiam de um corpo central. Os pesquisadores nomearam sua criação em homenagem ao gigante Argus da mitologia grega, que tinha cem olhos. Este robĂ´ pode rolar sobre grama, areia, pedras e atĂ© escalar paredes verticais. Ele mantĂ©m o equilĂbrio mesmo depois de ser empurrado violentamente ou apĂłs perder trĂŞs de suas pernas.
A inovação chave reside em um conceito matemático chamado isotropia dinâmica. Essa pontuação, que vai de 0 a 1, mede a capacidade de um robô de acelerar de maneira uniforme em todas as direções. A maioria dos robôs atuais, incluindo humanoides e drones, obtém uma pontuação inferior a 0,6. Argus atinge 0,91, quase o máximo teórico. Isso significa que ele pode reagir tão bem para frente quanto para trás, ou para os lados.
Os pesquisadores alcançaram esse desempenho organizando as pernas em torno de uma forma geométrica particular, o dodecaedro regular. Essa estrutura de doze faces pentagonais oferece ao robô um campo de visão quase uniforme. O robô não precisa se orientar para se mover ou interagir com seu ambiente.
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Os testes foram realizados no campus da Universidade Duke, em superfĂcies variadas como concreto, grama, lama e areia. Argus superou obstáculos e empurrou um cubo de um metro de lado. Mesmo com trĂŞs pernas danificadas, ele continuou se movendo. Os pesquisadores tambĂ©m demonstraram sua capacidade de escalar entre duas paredes verticais.
Esta pesquisa nĂŁo propõe apenas um robĂ´ inovador, mas um novo mĂ©todo de design. Em vez de copiar a natureza, os engenheiros podem agora partir de princĂpios matemáticos profundos para criar máquinas com capacidades inĂ©ditas. Chen, coautor do estudo, explica que os robĂ´s nĂŁo precisam imitar humanos ou cĂŁes para ganhar agilidade. Basta buscar a simetria dinâmica perfeita para transformar a robĂłtica.
As implicações vĂŁo alĂ©m da simples demonstração. Este quadro matemático poderia servir para comparar diferentes corpos de robĂ´s e projetar novos a partir do zero. Xia, pĂłs-doutorando no laboratĂłrio, ressalta que essa abordagem produz um robĂ´ capaz de se mover em terrenos acidentados, ambientes congestionados e atĂ© mesmo em baixa gravidade. Isso muda o que Ă© possĂvel em robĂłtica.