đŸȘ« O envenenamento dos eletrodos - como transformar hidrogĂȘnio em eletricidade?

Publicado por Adrien,
Fonte: CNRS INC
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O dihidrogĂȘnio H2 Ă© um vetor de energia muito Ăștil para converter e armazenar energias renovĂĄveis. Sua produção e utilização baseiam-se em dispositivos, eletrolisadores e cĂ©lulas de combustĂ­vel, no centro dos quais ocorrem reaçÔes eletroquĂ­micas envolvendo hidrogĂȘnio e oxigĂȘnio, conduzidas por eletrodos tipicamente de platina.

A eficiĂȘncia e a vida Ăștil desses dispositivos exigem o domĂ­nio perfeito dos mecanismos fĂ­sico-quĂ­micos que ocorrem na superfĂ­cie dos eletrodos. Seu rendimento depende fortemente dos eventos que ocorrem na interface entre o eletrodo e o eletrĂłlito, uma zona nanomĂ©trica onde convivem molĂ©culas de ĂĄgua, Ă­ons e cargas elĂ©tricas.


Imagem de ilustração Pixabay

Infelizmente, essas interfaces continuam difĂ­ceis de observar em modo operando, ou seja, diretamente durante o uso, e muitos mecanismos fundamentais ainda sĂŁo mal compreendidos.

No ùmbito do projeto EMOSEINE, os cientistas do Instituto de Química Física (CNRS/Universidade Paris-Saclay) e do Laboratório de Ondas e Matéria da Aquitùnia (CNRS/Universidade de Bordéus) acompanharam em tempo real os fenÎmenos que ocorrem na superfície de um eletrodo de platina imerso em uma solução aquosa contendo fosfatos.

Esses íons fosfato (HnPO4(3-n)- onde n = 0,1,2: H2PO4-, HPO42-, PO43-), provenientes do åcido fosfórico (H3PO4) no qual o eletrocatalisador de platina estå imerso, são necessårios para estabilizar o pH e garantir a condução iÎnica.

Quimicamente e termicamente estĂĄvel em altas temperaturas, esse ĂĄcido pode ser explorado de forma otimizada em cĂ©lulas de combustĂ­vel. Mas o conhecimento dos mecanismos de adsorção/dessorção dos Ă­ons fosfato em contato com os eletrodos, favorecendo ou limitando sua eficiĂȘncia, permanece muito parcial, dada a complexidade e variedade das espĂ©cies iĂŽnicas presentes.

Para avançar na compreensão desses fenÎmenos, os cientistas desenvolveram uma célula eletroquímica acoplada à espectroscopia óptica não linear por geração de segundo harmÎnico (SHG). Essa célula espectro-eletroquímica permitiu sondar especificamente em tempo real os processos químicos (cinética das reaçÔes, natureza e organização das espécies adsorvidas na superfície do eletrodo de platina e produtos finais) que ocorrem na superfície dos materiais eletrocatalíticos imersos em meio aquoso, independentemente da tensão elétrica aplicada a eles.

Seu trabalho mostra que os Ă­ons fosfato nĂŁo interagem todos da mesma forma com a superfĂ­cie da platina. O Ă­on di-hidrogenofosfato (H₂PO₄⁻) comporta-se como um adsorvente fraco. Permanece majoritariamente na periferia da interface sem ocupar diretamente os sĂ­tios ativos do metal e comporta-se como um Ă­on espectador.

Inversamente, as formas menos protonadas dos fosfatos (HPO₄ÂČ⁻ e PO₄³⁻) apresentam uma afinidade mais forte pela superfĂ­cie. Elas podem competir com outras espĂ©cies, como os Ă­ons hidrĂłxido (OH⁻), para ocupar os sĂ­tios catalĂ­ticos. Uma adsorção que pode modificar profundamente a estrutura eletrĂŽnica da interface e desacelerar as reaçÔes eletroquĂ­micas.

Os cientistas também mostram que esses fenÎmenos dependem fortemente do pH da solução. Em meio åcido, a adsorção permanece limitada e relativamente reversível. Por outro lado, quando o pH aumenta, as interaçÔes tornam-se mais fortes e mais complexas, com efeitos notåveis na cinética das reaçÔes e na estabilidade do eletrodo.

Esses resultados permitem compreender melhor o que se chama de "envenenamento" dos eletrodos, ou seja, o bloqueio dos sĂ­tios ativos do catalisador em sua superfĂ­cie por espĂ©cies adsorvidas que diminui a eficiĂȘncia das reaçÔes. Ao identificar precisamente quais espĂ©cies sĂŁo responsĂĄveis por esse fenĂŽmeno e em quais condiçÔes, este estudo constitui um avanço importante para o desenvolvimento de cĂ©lulas de combustĂ­vel mais eficientes e durĂĄveis.

Redator: Christophe CARTIER DIT MOULIN
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