🚀 Este vírus mutante vindo do espaço poderia salvar vidas na Terra ?

Publicado por Cédric,
Autor do artigo: Cédric DEPOND
Fonte: PLOS Biology
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Os laboratórios da Estação Espacial Internacional (ISS) oferecem um terreno de observação único sobre a evolução dos micróbios. Um estudo recente revela que os vírus e as bactérias se adaptam lá de acordo com lógicas totalmente novas. A ausência de gravidade modifica as regras fundamentais que regem as interações biológicas.

Pesquisadores compararam o comportamento de um vírus que ataca bactérias, o bacteriófago T7, e do seu hospedeiro, a bactéria Escherichia coli, na ISS e na Terra. Os resultados, publicados na PLOS Biology, mostram que a microgravidade não apenas retarda a infeção. Ela orienta a evolução dos dois organismos em trajetórias distintas, com mutações genéticas específicas. Esta descoberta poderia permitir conceber novos tratamentos contra infeções resistentes a antibióticos.


Imagem de ilustração Pixabay


Um abrandamento inicial seguido de uma adaptação rápida


Nas condições terrestres, o fago T7 infeta e destrói a bactéria E. coli em menos de uma hora. A bordo da ISS, este processo é consideravelmente retardado, levando várias horas, ou mesmo dias, para se estabelecer. Os cientistas atribuem este atraso principalmente à ausência de gravidade, que limita os encontros aleatórios entre as partículas virais e as células bacterianas. Os fluidos não se misturam da mesma maneira em microgravidade, reduzindo os contactos necessários para a infeção.

Este abrandamento não impede, contudo, que a infeção ocorra. Após um período de incubação de 23 dias em órbita, o fago conseguiu perfeitamente replicar-se e persistir no ambiente bacteriano. Esta fase de adaptação inicial tem consequências profundas, pois modifica o contexto no qual a evolução opera. As bactérias, stressadas pelas condições espaciais, têm tempo para desdobrar mecanismos de defesa antes que o ataque viral se torne massivo.

A análise genómica revelou que as bactérias expostas aos fagos em microgravidade acumularam mutações distintas, em particular nos genes ligados à sua membrana externa e à resposta ao stress. Estas adaptações parecem ajudá-las a sobreviver no ambiente espacial, mas também a protegê-las contra a infeção viral.

Mutações virais com aplicações terrestres promissoras


Do lado dos bacteriófagos, a evolução em microgravidade seguiu uma trajetória única. Os vírus desenvolveram mutações em genes inesperados. Uma técnica avançada, a varredura mutacional profunda, permitiu mapear o impacto de milhares de variantes na capacidade de infeção.

O resultado mais marcante é a aplicação prática destas descobertas. Os investigadores sintetizaram variantes de fagos enriquecidos pelas mutações surgidas em microgravidade e testaram-nas em estirpes clínicas de E. coli uropatogénicas, responsáveis por infeções urinárias e resistentes ao fago T7 padrão. Contra todas as expectativas, estes fagos "espaciais" mostraram-se nitidamente mais eficazes para eliminar as bactérias resistentes do que os seus homólogos terrestres.

Esta descoberta abre uma via original para a fagoterapia, uma abordagem que usa vírus para combater infeções bacterianas. Demonstra que ambientes físicos extremos, como a microgravidade, podem servir como plataformas de descoberta para revelar soluções biológicas invisíveis em condições padrão. O espaço torna-se assim um laboratório para explorar o potencial evolutivo dos micróbios.
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