Um amplo estudo clĂnico acaba de relatar o desempenho de um comprimido experimental, a enlicitida, capaz de reduzir os nĂveis de colesterol LDL â frequentemente chamado de colesterol 'ruim' â em atĂ© 60%. Este avanço aponta para uma nova estratĂ©gia para prevenir ataques cardĂacos e acidentes vasculares cerebrais.
Atualmente, menos da metade dos pacientes com doenças cardiovasculares atingem suas metas de colesterol LDL. Os tratamentos existentes, como as estatinas, nem sempre são suficientes, deixando parte da população exposta a riscos significativos. Este cenårio evidencia a necessidade de desenvolver alternativas eficazes e de uso simples.

Imagem ilustrativa Unsplash
O colesterol LDL acumula-se nas paredes dos vasos sanguĂneos, formando depĂłsitos gordurosos chamados placas. Este processo, a aterosclerose, estreita as artĂ©rias e pode desencadear problemas cardĂacos ou cerebrais. HĂĄ dĂ©cadas, a redução desse tipo de colesterol Ă© um objetivo para limitar esses riscos, mas as opçÔes terapĂȘuticas ainda sĂŁo, por vezes, insuficientes.
Pesquisas fundamentais permitiram compreender melhor esse mecanismo. HĂĄ vĂĄrios anos, cientistas identificaram o receptor LDL nas cĂ©lulas do fĂgado, uma descoberta que rendeu um prĂȘmio Nobel. Posteriormente, o estudo de pessoas com nĂveis naturalmente baixos de colesterol LDL revelou o papel da proteĂna PCSK9, que regula a eliminação do colesterol.
Os tratamentos atuais que visam a PCSK9, como os anticorpos monoclonais injetåveis, são muito eficazes, mas subutilizados. Sua administração por injeção pode desencorajar alguns pacientes e médicos. Esta situação explica o interesse por uma forma oral, mais simples de integrar no dia a dia.
A enlicitida funciona ligando-se Ă PCSK9 no sangue, de forma semelhante Ă s injeçÔes, mas na forma de um comprimido tomado uma vez ao dia. No ensaio clĂnico de fase trĂȘs, envolvendo cerca de 3000 pacientes, este medicamento permitiu uma redução mĂ©dia de 60% no colesterol LDL em comparação com um placebo. Os participantes, jĂĄ em uso de estatinas, viram seus nĂveis diminuĂrem significativamente, com efeitos mantidos por um ano.
Estes resultados, publicados no New England Journal of Medicine, indicam que a enlicitida pode se tornar uma opção importante para pessoas em risco. Os investigadores estĂŁo agora a realizar outros estudos para verificar se esta redução do colesterol se traduz em menos eventos cardiovasculares, como ataques cardĂacos ou AVCs.