🧬 Evolução repentina para o humano moderno questionada

Publicado por Adrien,
Fonte: Quaternary Science Reviews
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A ideia de uma transformação humana rápida, que teria transformado nossos ancestrais em seres modernos há cerca de 50.000 anos, está cada vez mais contestada. Um exame minucioso dos dados arqueológicos, fósseis e genéticos revela um quadro bem diferente, menos suave e previsível.

O arqueólogo Huw S. Groucutt, em um estudo publicado em Quaternary Science Reviews, defende que os conceitos de modernidade e transformação humana decorrem mais de vieses e de seleção de elementos favoráveis do que de uma abordagem objetiva. Ao compilar dados fósseis, genéticos e arqueológicos, ele revela que a anatomia e o comportamento modernos se desenvolveram de forma mosaico, diferente conforme as regiões, e gradual.


O modelo da mudança do Paleolítico Superior postulava uma virada cognitiva ou genética semibrusca. No entanto, as descobertas recentes contradizem esse modelo. Os comportamentos elaborados, como a criação de ornamentos ou ferramentas em osso, aparecem e desaparecem aos trancos e barrancos na África, bem antes de sua difusão na Europa. Os progressos não seguem uma linha reta, mas ocorrem por tentativas, com avanços e retrocessos.

Os métodos de datação também acrescentam sua parcela de incerteza. Huw S. Groucutt menciona o exemplo de um fóssil da gruta de Misliya em Israel: conforme as técnicas utilizadas, sua idade flutua de 70.000 a 190.000 anos. Esse tipo de discrepância lembra que é preciso ter cuidado ao se apoiar em um único método. A cronologia da dispersão humana permanece, portanto, ainda muito incerta.

Do lado da anatomia, o termo "humano anatomicamente moderno" também é ambíguo. Caracteres considerados modernos aparecem em fósseis de 300.000 anos em Jebel Irhoud (Marrocos), mas alguns pesquisadores julgam que a anatomia plenamente moderna só se generalizou por volta de 50.000 anos. Mais surpreendente ainda, um caracter julgado arcaico – a forma alongada do crânio – reaparece entre 16.000 e 12.000 anos na África, muito depois de os caracteres modernos supostamente dominarem.

Em vez de uma mutação genética única, os dados atuais indicam uma longa evolução por vezes caótica. Huw S. Groucutt destaca a necessidade de cruzar as evidências: arqueologia, fósseis e genética contam histórias diferentes se tomadas isoladamente.
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