Há 34 milhões de anos, as cobras já podiam ter adquirido o hábito de se reunir para passar o inverno. Esta prática, semelhante à de algumas espécies atuais, foi evidenciada pela descoberta de um fóssil no Wyoming. Ela indica que os comportamentos sociais ou de sobrevivência nesses répteis remontam a uma época muito mais recuada do que se imaginava.
A descoberta deste fóssil, nomeado Hibernophis breithaupti, provém da Formação White River, no Wyoming. Os pesquisadores estudaram quatro espécimes, dos quais três estavam agrupados num único bloco rochoso. Graças a uma técnica de tomografia computadorizada, um terceiro indivíduo escondido no interior da rocha foi revelado, oferecendo uma visão mais completa da cena.
O esqueleto fóssil da espécie recentemente descoberta Hibernophis breithaupti, que viveu há 38 milhões de anos no atual Wyoming, traz informações sobre a evolução e o comportamento social dos seus descendentes modernos. Crédito: Jasmine Croghan
Os fósseis de Hibernophis são notáveis pelo seu estado de conservação, incluindo crânios, mandíbulas e vértebras. Esta preservação detalhada facilitou a identificação de um novo género e de uma nova espécie. A cobra era de pequeno porte e provavelmente fossadora, pertencendo a uma fauna norte-americana antiga muito diferente da de hoje. Antes da ascensão dos grupos de cobras modernas, os constritores dominavam os ecossistemas.
A anatomia de Hibernophis apresenta traços comuns às primeiras cobras booides e à família dos Charinaidae, indicando que ela poderia situar-se perto de uma importante divisão evolutiva. Esta posição faz dela um espécime valioso, capturando uma etapa inicial na evolução das cobras semelhantes a jiboias. Em vez de se enquadrar em categorias existentes, ela mostra que a evolução das cobras foi provavelmente mais gradual e ramificada do que se esperava.
O ambiente em que Hibernophis vivia contrasta fortemente com os ecossistemas atuais da América do Norte. Os constritores desempenhavam um papel importante antes que outras linhagens tomassem a dianteira. Esta descoberta ajuda a preencher lacunas sobre essa época antiga e indica que o continente pode ter tido uma grande influência na evolução das cobras do tipo jiboia. Os pesquisadores esperam que outros fósseis venham enriquecer esta compreensão.
O método utilizado para detectar o espécime escondido, a tomografia computadorizada, foi primordial para este estudo. Uma colaboração internacional, envolvendo paleontólogos do Canadá, Austrália e Brasil, permitiu analisar estes fósseis em profundidade. Michael Caldwell, da Universidade de Alberta, explicou que as cobras modernas, como as cobras-de-água, reúnem-se aos milhares para hibernar, e ver vestígios deste comportamento há 34 milhões de anos é impressionante.