🪳 Esta IA ajuda baratas ciborgues a escolher seu caminho

Já falamos sobre isso na Techno-Science: é possível controlar a trajetória de uma barata equipando-a com um dispositivo eletrônico. O sistema agora pode reconhecer o tipo de terreno que encontra e adaptar a trajetória quase imediatamente.

A ideia baseia-se em um animal vivo ao qual os pesquisadores acrescentam um pequeno sistema eletrônico. Estímulos elétricos orientam seus deslocamentos, mas a barata conserva suas capacidades naturais para caminhar e superar obstáculos. Essa combinação entre organismo vivo e máquina forma o que os pesquisadores chamam de sistema biohíbrido.

Uma jovem barata-assobiadora de Madagascar fotografada no Jardim Botânico de Atlanta.

Uma jovem barata-assobiadora de Madagascar fotografada no Jardim Botânico de Atlanta.
Foto: Almabes, recorte de WolfmanSF / Wikimedia Commons — domínio público

O problema aparece quando o terreno muda. Um sistema de navegação clássico busca principalmente corrigir a direção do animal para conduzi-lo até seu destino. No entanto, diante de uma inclinação ou de um buraco, essa correção pode provocar desvios desnecessários e atrapalhar os movimentos que a barata já sabe realizar naturalmente.

Pesquisadores da Universidade de Osaka e seus colegas acrescentaram, portanto, um reconhecimento automático do terreno. O dispositivo analisa em tempo real as informações coletadas durante o deslocamento. Uma inteligência artificial então classifica o solo em quatro situações: terreno plano, subida, descida ou buraco.

Essa identificação permite que o controlador mude seu comportamento. Em um solo comum, ele pode continuar guiando o inseto até seu alvo. Quando a barata encontra uma configuração que consegue superar sozinha, o sistema, ao contrário, limita suas intervenções e deixa o animal usar mais suas próprias capacidades.

Para entender o interesse, basta considerar uma inclinação. Forçar continuamente a barata a respeitar uma direção teórica não é necessariamente a maneira mais rápida de atravessá-la. Deixá-la ajustar naturalmente suas patas e seu corpo pode ser mais eficaz, e a orientação pode ser retomada depois que a passagem for negociada.

Os testes mostram que essa estratégia reduz os deslocamentos desnecessários e melhora a navegação em percursos que incluem diferentes relevos. O sistema, portanto, não transforma a barata em um simples robô controlado remotamente. Ele distribui as tarefas: a eletrônica escolhe quando orientar, e o animal conserva parte do controle de sua locomoção.

Essa abordagem interessa especialmente à robótica destinada a locais de difícil acesso. Um inseto pode se deslocar por passagens estreitas e superfícies irregulares sem exigir toda a mecânica de um robô tradicional. Os pesquisadores citam, entre os usos possíveis, operações de busca e salvamento.

A próxima etapa consiste em tornar esses sistemas biohíbridos mais autônomos em ambientes menos previsíveis. Será necessário verificar especialmente seu comportamento quando vários tipos de obstáculos e terrenos se sucedem em condições próximas às encontradas fora do laboratório.