Uma jovem empresa americana propõe uma outra forma de fazer funcionar uma inteligência artificial generativa. O seu modelo Un-0 produz imagens com um sistema de osciladores acoplados, em vez de se basear apenas nos cálculos numéricos clássicos dos processadores gráficos. A promessa: uma redução por um fator de 1000 no consumo energético com desempenho equivalente.
Os osciladores são sistemas que evoluem no tempo de acordo com uma frequência, uma fase e interações com o seu ambiente. Nesta arquitetura, os seus estados físicos substituem parte das operações habitualmente realizadas por transístores. O cálculo baseia-se então na dinâmica coletiva do sistema.

Esta abordagem pertence ao domínio da computação física. Procura explorar diretamente as propriedades de um suporte material, como as variações de um sinal ou a sincronização de pequenos osciladores. O objetivo consiste em realizar certas operações com menos etapas e, portanto, menos energia.
O Un-0 foi testado em imagens de 64 por 64 pixels provenientes da base ImageNet. A empresa anuncia uma pontuação FID de 6.74, uma medida utilizada para comparar a qualidade estatística de imagens geradas. Este resultado é comparável ao de vários primeiros modelos clássicos de geração de imagens.
No entanto, o modelo não é atualmente executado num chip físico dedicado. Funciona numa simulação informática de uma arquitetura de osciladores. Os ganhos energéticos anunciados correspondem, portanto, a uma perspetiva material, e não a um consumo já medido com um protótipo completo.
O funcionamento também difere dos modelos de difusão mais difundidos. Em vez de reconstruir progressivamente uma imagem a partir de ruído com uma vasta rede neuronal, o sistema explora a evolução coletiva dos seus osciladores para produzir uma representação coerente.
A empresa estima que esta arquitetura poderia reduzir fortemente a energia necessária à inferência. Algumas comunicações mencionam um fator que pode atingir 1.000, mas este valor permanece, por enquanto, uma projeção dependente do hardware, do software e da comparação escolhida.
A transição para imagens maiores constitui um desafio importante. Será também necessário construir os circuitos, limitar os erros, programar as interações entre osciladores e comparar os desempenhos. Uma simulação promissora não garante ainda uma alternativa industrial às GPUs.
Esta pista continua, no entanto, interessante, à medida que a geração de imagens aumenta a procura de cálculo e eletricidade. Ela é a representante de uma tendência mais ampla: conceber sistemas de inteligência artificial que utilizam diretamente a física para reduzir o custo energético das operações.